25/11/2009

Um Bocadinho da Nossa História: O 25 de Novembro de 1975

Faz hoje 34 anos sobre a data em que terminou o PREC (Projecto Revolucionário Em Curso). Com o 25 de Novembro de 1975, o contra golpe que pôs fim à influência da esquerda radical em Portugal, o país entrava na normalidade democrática. Certamente que ganhámos em alguns aspectos, mas também é certo que ficámos a perder e muito, em generosidade e solidariedade entre todos os que com o 25 de Abril tinham abraçado a construção de um novo Portugal.

Com o 25 de Novembro e o restabelecer da normalidade democrática, Portugal ficou mais sensaborão, perdeu sal e muita paixão. Para o confirmar basta dar uma vista de olhos ao vídeo que passo em baixo. Mostra um político da nossa praça, só que antes do 25 de Novembro. Vejam e digam-me, não vos  parece muito mais genuíno que habitualmente, muito mais verdadeiro?



Já agora vejam lá se conseguem perceber a mensagem que o nosso político tenta passar?
Resta-me acrescentar que, por aqui, o 25 de Novembro não terminará com a temática dedicada ao PREC, continuarei a abordar este período maravilhoso da nossa história.

O que ando a ouvir: Tim Minchin-If I din’t Have You.

Este Post termina a série “O que ando a ouvir”, na parte que diz respeito a Tim Minchin, mas o gajo ainda tem de me pagar por tê-lo feito famoso em Messines. Já sabes Tim, primeiro Messines, depois o Mundo.



PS-O Bolinhas continua a uivar sempre que ouve o Tim Minchin a cantar "Fuck The Poor". Não sei o que se passa com o bicho, mas imagino que seja por também eu ser pobre.

Um Bocadinho da Nossa História: Álvaro Cunhal em Messines (Cont.)

Nota do Chefe da Estação:

Aqui neste sítio a participação dos passageiros e/ou seus acompanhantes é altamente encorajada. Esta é uma estação verdadeiramente democrática, com direito ao contraditório e tudo. Assim e cumprindo o que prometi, sempre que se justifique os comentários dos leitores serão promovidos à categoria de Posts, assinados e tudo.

Vem esta nota a propósito de um comentário feito por um leitor atento ao post do Álvaro Cunhal em Messines. A quem desde já agradeço a participação e transcrevo o comentário. Também encorajo, querendo, que se identifiquem.

“Um comentário correcto no global, mas incorrecto nos pormenores.
A forma como está escrito dá a ideia que era um "challenge" Álvaro Cunhal x Messinenses.
Não foi nada disso que aconteceu porque quem chegou a vias de facto com o grupo do MRPP foram, também eles na sua maioria, Messinenses (lembro-me bastante bem).
Quanto aos barrotes de madeira, surgiram depois de se iniciarem as escaramuças. Provavelmente já estavam "preparados", mas se nos reportarmos à época dos factos, até uma simples colagem de cartazes era feita com a companhia dos tais "barrotes".
Conto-vos uma passagem do tal grupo do MRPP: após o 25 de Abril foram escritas na parede da residência do Francisco Vargas Mogo várias "palavras de ordem" que conotavam o Francisco Vargas com o antigo regime.
Este fez, então, uma jura que não entraria mais no "café dos caracóis", mesmo em frente à sua residência, na altura frequentado por militantes e simpatizantes do PCP, julgando que os autores das "pinturas" seriam do PC.
Mais tarde veio-se a descobrir que os autores da proeza eram do MRPP (o António José "Manaca" deve-se lembrar bem do episódio).
Aqui surge a coerência do Francisco Vargas que, sabendo que tinha errado no “julgamento” que fez, nunca mais entrou no referido café, mesmo sendo cliente diário do mesmo. Como é que ele fazia? Simples, sentava-se na esplanada, fazia o seu pedido, bebia a sua imperial e comia o seu pires de caracóis e pagava, mas sempre na esplanada. Nunca mais entrou no café.”


leitor não identificado.

24/11/2009

Da Representação Humana da Natureza: Números de Fibonacci

A sucessão de números de Fibonacci, descrita primeiramente por Leonardo de Pisa, também conhecido como Fibonacci (Dc. 1200), para descrever o crescimento de uma população de coelhos, começa pelo número zero (0) seguido do um. Os termos seguintes da série são obtidos pela soma dos dois termos anteriores, ficando então:
0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55.....
O aspecto mais surpreendente desta série de números é a frequência com que o mesmo padrão é encontrado na Natureza. Por exemplo o crescimento de uma concha de nautilus segue um padrão de Fibonacci, o mesmo sucede em muitos outros casos.
Ainda mais interessante é o facto de a divisão de um qualquer termo pelo seu antecessor dar como resultado um número próximo de 1.618. O resultado é tanto mais exacto quanto maiores forem os termos utilizados.
O número, 1.618 é conhecido como a divina-proporção. O nome deve-se ao facto de vários fenómenos naturais mostrarem de algum modo “obediência” a esta proporção. Por exemplo, numa flor de girassol as sementes crescem em espirais, a razão do diâmetro de cada rotação para a seguinte é 1,618. O mesmo sucede nas pétalas de uma pinha disposta em espiral. Mas o que é mais espantoso, é que mesmo nós, humanos, crescemos com essa proporção. Se medirmos a distância que vai da cabeça aos pés e dividirmos o resultado pela distância do umbigo ao chão, o resultado será muito próximo de 1,618.

Um Bocadinho da Nossa História: S.B. Messines também faz Rock.

Desde já confesso, a minha aptidão para tocar viola, bateria, ou qualquer outro instrumento musical, à excepção de batuques, só é comparável à habilidade demonstrada por Quique Flores na direcção da equipa de futebol sénior do meu Benfica. Um verdadeiro desastre. Com isto desde já aviso, eu não me encontro no vídeo que podem ver mais abaixo. Não estou lá, mas gostava de estar.

A vida é assim. Sempre tive a ambição, não concretizada, de um dia vir a ser capaz de dar um ou dois acordes numa viola. Não procuro sucesso nessa área, mas que gostava de poder tocar para me entreter, gostava.

Mas o que aqui nos trás não sou eu, mas sim a capacidade demonstrada por quatro jovens de Messines para romper as barreiras da interioridade e sair da mediania, levando longe um projecto musical que, quem sabe, poderia até ter ido mais além. Não foi, tenho pena.

Um deles é alguém com quem não falo vai para mais de vinte anos. Tudo por uma idiotice de infância que não vem aqui ao caso. Apesar disso continuo e sempre continuei a considerá-lo meu amigo. Como já uma vez disse, os meus amigos-de-infância são isso mesmo, amigos, sempre!

Haverá por aí alguém capaz de identificar, fazendo-lhes justiça, mais este grupo de intrépidos Messinenses?

O que ando a ouvir: Tim Michin-The Guilt Song (Fuck the Poor)




I would be a liar if I pretended to admire,
The redlight windscreen cleaning empire that you've built,
But my heart is good, it's not a thing of stone or wood,
I'll give you $0.50 to take away my guilt.

I give money to folk that just don't have enough,
To try to justify the future purchases of stuff,
That I don't need, I know that one less vodka cranberry tonight,
And I could feed some foreign family for a fortnight,
But I might just have one more,
After all, what is vodka for?
Apart from making you want to shag your best mate's wife,
And dampening the guilt you feel about your perfect life;

Fuck the poor, What is all this hoo-hah for?

There's only one reason that I'll phone 1800-0340-34,
It's the force that drove Teresea, and that school that Opera built,
I'll give you $50 to take away my guilt.

Fuck the poor, I'm not pretending anymore,

That I really give two shits about some kids in Bagalor,
I'm more interested in footie, than seeing the Solomons rebuilt,
But I'll give you $50 to take away my guilt,
I'll give you $50 to take away my guii-lll-tt.

23/11/2009

Um Bocadinho da Nossa História: PREC-Álvaro Cunhal em Messines

Desde já aviso que o que a seguir vou narrar é baseado apenas e só nas memórias do que presenciei (tinha na altura 9 ou 10 anos). Como tal, qualquer facto menos correcto ou impreciso fica desde já justificado e, se for esse o caso, agradeço as possíveis correcções.

Penso ter sido um domingo o dia escolhido para o comício. A festa foi organizada e teve o seu início no largo em frente do então chamado “Café do Romeu”, o mesmo que já foi o café do Piaska, próximo do então BNU. Era este à altura o local de eleição na vila.

Álvaro Cunhal subiu ao 1º andar do café, de onde pretendia discursar, tal como veio a acontecer, às hostes vermelhas. Junto com a população local, a ouvir o dirigente máximo do PCP, encontrava-se também, devidamente dissimulada, a guarda pretoriana do partido, este “corpo de intervenção rápida”, composto por uns rapazes altos e espadaúdos, vinha armado por uns nada meigos barrotes de madeira e preparados para o que desse e viesse.

O comício até começou bem, só a partir de determinada altura, quando deram entrada na festa alguns elementos não convidados a coisa deu para o torto.

A chefiar este pequeno grupo de intrépidos messinenses, vinha, penso eu, o Manaca, tão só o maior activista messinense do MRPP (sobre ele existem bastantes mais histórias que dariam bons posts) e a segui-lo viriam ainda o Idalécio, irmão do Ilídio e outros que, confesso, não recordo.

A acção vinha bem planeada, perturbar e acabar com o comício era o objectivo máximo. E se bem o planearam, melhor ainda o executaram, assim que Álvaro Cunhal começou a discursar toca de largar "palavras de ordem" acompanhados de insultos aos comunas vermelhos a soldo do patrão soviético.

A refrega foi rápida. Iniciou-se com uns murros a preceito, acompanhados de umas boas pazadas aplicadas pela força forasteira. O grémio messinense foi também lesto a responder, rápido e seguro, aplicou um sprint de fazer inveja a qualquer corredor dos 100 metros barreiras e, correndo à frente do corpo expedicionário vermelho, procurou refúgio na sede da sociedade de instrução e recreio messinense. Aqui chegados, alguém corajosamente colocou-se à porta dizendo “Aqui ninguém entra”. A estratégia no entanto não teve o resultado esperado e, dizia-se na altura, a resposta a esta “pega de caras” foi tão só uma patada aplicada na peitaça do forcado.

O refúgio final da força messinense teve que ser deslocado mais para baixo na vila. Penso que foram acabar próximo da escola primária, onde puderam então lamber as feridas e recuperar a moral.

Este é um dos episódios que recordo com mais carinho da minha vivência no PREC, ainda hoje me lembro de, com a rua da Dª Adelaide, como então se chamava, cheia de malta, uns a fugir e outros a distribuir ameixas, eu ter passeado incólume, apreciando completamente embevecido, a História a acontecer.

Escusado será dizer que o meu respeito pelo Manaca, principalmente por este, nasceu ao longo desses dias com este e outros episódios, (a célebre distribuição do jornal do partido, por ele realizada em frente ao mesmo café, é um deles) e ainda hoje dura. Embora tenha a certeza que nem ele o sabe. Não é fácil demonstrar tamanha generosidade e coragem sem ser completamente doido. Louco como só os verdadeiros e genuínos o podem ser.

Um Bocadinho da Nossa História: PREC-Quando um Governo faz Greve

Já alguma vez imaginaram um governo fazer greve? Sim suspender as suas funções, já aconteceu e foi em Portugal. Era primeiro ministro o Almirante Pinheiro Azevedo.


22/11/2009

A Ciência por quem a faz: Electrónica de Plástico

Um Bocadinho da Nossa História: "Comprativa"

"Comprativa"

Um Bocadinho da Nossa História: Almirante sem Medo

"...Vendo a situação entrar num impasse, com os trabalhadores a estenderem mantas e acenderem fogueiras para dormir e ficar ali por tempo indeterminado, Pinheiro de Azevedo veio à varanda apelar à dispersão, sob a promessa de estudar o caderno reivindicativo. Mas os manifestantes não o queriam ouvir, e gritavam e insultavam mal o primeiro-ministro abria a boca. "Fascista!", chamavam eles, e o "Almirante sem Medo" perdeu a paciência: "Fascista uma merda!" Ou na versão de outras testemunhas: "Vão todos bardamerda!"..."*

Contagem decrescente para uma guerra civil, Paulo Moura in Público

Ainda se lembram de como foi vivido o PREC (Projecto Revolucionário Em Curso) em Messines? Tentarei trazer aqui algumas histórias desses tempos. Para isso conto com a vossa ajuda: Fotografias, histórias, personagens, enfim, tudo o que tiverem por aí guardado no baú das memórias e queiram partilhar é bem-vindo.

21/11/2009

O que ando a ouvir: Tim Minchin

If You Open Your Mind Too Much, Your Brains Will Fall Out (Take My Wife)

If anyone can show me one example in the history of the world of a singlePsychic who has been able to prove under reasonable experimental conditions that they are able to read minds

And if anyone can show me one example in the history of the world of a singleAstrologer who has been able to prove under reasonable experimental conditions that they can predict events by interpreting celestial signs

And if anyone can show me one example in the history of the world of a singleHomeopathic Practitioner who has been able to prove under reasonable experimental conditions that solutions made of infinitely tiny particles of good stuff dissolved repeatedly into relatively huge quantities of water has a consistently higher medicinal value than a similarly administered placebo

And if anyone can show me just one example in the history of the world of a singleSpiritual or religious person who has been able to prove either logically or empirically the existence of a higher power that has any consciousness or interest in the human race or ability to punish or reward humans for there moral choices or that there is any reason - other than fear - to believe in any version of an afterlife

I’ll give you my piano, one of my legs, and my wife

Da Representação Humana da Natureza: Números

Na nossa escrita numérica usamos apenas 10 algarismos. Vão do 0 ao 9 e servem para representar a quantidade ou intensidade, de uma qualquer qualidade passível de ser representada numericamente.

Enquanto os símbolos que usamos para representar os algarismos são totalmente irrelevantes, já o seu número faz toda a diferença. O mais relevante é o número de algarismos diferentes que usamos na nossa escrita numérica.

Por convenção escrevemos na base dez. O serem dez algarismos diferentes estará por certo ligado aos dez dedos que temos nas mãos. Suponhamos então que em vez dos dez dedos, a raça humana tinha evoluído apenas com dois. Mantendo a mesma simbologia, agora numa numeração de base 2, os números 0 e 1 seriam exactamente idênticos aos que hoje usamos. Mas a partir daqui tudo seria diferente, reparem então na seguinte lista que mostra números escritos na base dez e, entre parêntesis, na base dois.

0 (0); 1 (1); 2 (10); 3 (11); 4 (100); 5 (101); 6 (110); 7 (111); 8 (1000); 9 (1001)....