11/01/2010

Existe em Messines uma verdadeira singularidade do espaço–tempo. Um “Não Lugar”.

Durante a minha recente estadia em Messines percorri vezes sem conta a estrada que liga Messines ao Algoz. Como acredito que em tudo o que fazemos devemos procurar um lado positivo, comecei por puxar pela cabeça e tentar encontrar algo positivo em percorrer uma estrada completamente esburacada. Encontrei dois aspectos, mas estou certo que mais haverá.

O primeiro é que aquilo é bastante divertido, até já tinha arranjado um jogo e tudo. Consistia simplesmente em verificar se conseguia fazer o percurso sem cair em nenhum dos buracos, claro que a velocidade média a que conduzia ia aumentando à medida que cumpria com sucesso cada etapa. Consegui chegar bastante longe, estava satisfeito e cheguei mesmo a acreditar ter jeito para fazer o Dakar, mas, já para o fim, o nosso novo presidente da Junta de Freguesia (penso que foi ele) veio estragar-me a brincadeira, (começa mal este presidente, o do Algoz é muito mais divertido).

Não sei o que lhe passou pela cabeça, mas não é que o malfadado mandou tapar alguns dos buracos entre Messines e os Calvos. Assim num ápice, retirou para aí uns dez ou vinte à prova, aquilo ficou muito mais fácil e tive que recomeçar a contagem de novo. Uma maçada.

A outra vantagem que descobri foi o facto de ter observado em Messines a primeira singularidade do espaço-tempo de que há registo (pelo menos que eu saiba). Até lhe deram nome e tudo, chamam-lhe o Joinal.

O Joinal é um não-lugar, um sítio onde se pode estar e ao mesmo tempo não estar. Descobri mesmo que o mais complicado é lá estar, pelo menos no local onde a linha que une as placas de início e fim do Joinal cruza a estrada Messines-Algoz. As ditas placas estão tão bem alinhadas, que a dita linha faz uma perfeita perpendicular à estrada e assim, mesmo querendo, estar no Joinal é complicado, sobra sempre um bocado dos sapatos que não estando na linha também não está no Joinal.

Assim o engraçado é que pode-se estar e simultaneamente não estar no Joinal, pode-se também não-estar no Joinal (o que até frequentemente acontece) mas já estar no Joinal é bem mais complicado.


(O Joinal, quando se vai de Messines para o Algoz. Reparem nas placas de início e fim do Joinal, a primeira do lado direito e a segunda ao lado esquerdo da estrada)
 
 


(O Joinal, visto na situação inversa. Vindo agora do Algoz.)

Estou de Volta.

Antes de mais as minhas desculpas a todos os que aqui vieram "bater" e nada encontraram durante os dias em que me andei a passear por Messines. Ao Paulo Silva, ao José Paulo e ao Nuno Cruz um obrigado especial pelos emails e/ou referências ao Messines-Alte nos seus blogs.

Um abraço também para o Bananas, para a HC e para o Carrasqueiro, o primeiro com votos de um bom, um excelente 2010 para todos.

Deixei para o fim o comentário da Gabriela Martins. O não mencionar do blog da casa museu João de Deus no meu post foi apenas um lapso. Não é verdade que só tenha referido os blogues de cariz politico, recordo-me que me referi também aos blogues (tem mais do que um) da HC e não são de cariz político.

Tem toda a razão que a cultura nem sempre é bem tratada pelo poder, já o “não dar votos” me deixa mais reticente em concordar consigo. Já agora aproveito para lembrar que temos nova vereadora da cultura, que até é de Messines e tudo, quem sabe a casa Museu e outras instituições da vila como a Sociedade e a Casa do Povo possam vir a tirar partido disso.

01/01/2010

Feliz Ano Novo de 2010

Após esta interrupção festiva, voltarei à actividade "postiva" em breve.

Para já, apenas um desejo, bom ano de 2010 para todos.

20/12/2009

Para se rirem um bocado.

Quem já viu, pode ouvir de novo. Quem ainda não ouviu, faça favor. É o meu presente de Natal para vocês.

O que ando a ouvir: José Afonso - Os Vampiros

Messines, Blogando.

Temos em Messines vários tipos de Blogs, há aqueles mais pessoais, é o caso do Mussiene e seus derivados, todos da Hélia Coelho e que valem bem uma cuidada visita. Vem depois o “No princípio era o Caos...” do estimado José Paulo de Sousa, assim mesmo sem o Dr. pois ele não gosta dessas coisas. Este é um ex-líbris da blogosfera local e gosto bastante de o ler, embora sempre que lá vou me interrogue sobre qual será o princípio a que ele se refere? Será o princípio do Blog? O Principio de Messines (antes de ele ter chegado à vila)? ou será antes o princípio do Universo?
Vêm depois os blogs de cáracter mais político, são os casos dos blogs do vereador Serpa, o 25 de Abril-sempre da Tânia Mealha e ainda o Blog do Paulo Silva, o Penedo, este é assim uma espécie de consciência moral do concelho, assim um Manuel Alegre a nível local.
Foi neste quadro que nasceu o Messines-Alte, esbracejando para se manter à tona e fazer face à forte concorrência, já conseguiu sobreviver dois meses (o que já não é mau) e pelos quais agradeço a todos quantos têm contribuído para este feito. Quando nasceu, um leitor perguntou-me o que pretendia com aquele blog. Nada! Respondi. E assim continua a ser. Posso no entanto hoje dizer, que já serviu para reencontrar pessoas com quem não falava há muito tempo e conversar com outras que não conhecia. Já não é mau. Direi mesmo que a haver algum objectivo este serve perfeitamente.
Feito o inventário dos blogs, vamos agora ao que verdadeiramente interessa. É que eu estou seriamente preocupado, muitos dos blogs que enumerei têm andando assim pela dose mínima, a meia-dose ou nem mesmo isso. Que se passa? Já nada têm nada para dizer? Mau. Vamos lá a dar ao dedos seus mandriões e ponham-se a escrever.
Entretanto via blog do vereador e correio da manhã, chegou-me a novidade que o mercado de Silves está em risco de encerramento pela ASAE. Tudo devido ao facto de a actual presidente da CM de Silves não ter feito em tempo útil as obras que lhe foram sugeridas há já dois anos. A situação está complicada, temos a Fábrica do Inglês, a promessa da escola primária de Messines e agora o Mercado de Silves.
Convenhamos que assunto não falta.

(O tempo tá bera em Odemira)

19/12/2009

Um Bocadinho da Nossa História:Como Eu, um dia, ao comer túbaros, fui tomado por drogado ou coisa bem pior.

Um de nós deu os túbaros, quer dizer os túbaros não eram os do fornecedor, bem entendido, eram sim túbaros de porco e, além disso, já vinham previamente cozinhados. O mesmo benfeitor ofereceu também a casa para o repasto, esta localizada no Barrocal, o que forçou a uma deslocação (embora não muito longa) e que facilmente resolvemos.
Fomos em bando, a pé, naquele tempo carro era luxo que nenhum de nós ainda tinha, subimos a rua do cinema, passámos na Bernarda e descemos então pela “via romana” até ao Barrocal, onde noite fora, comemos os ditos túbaros e passámos um bom bocado na conversa.
Desde já confesso que não apreciei o repasto e cedo desisti, essencialmente por motivos psicológicos que não consegui ultrapassar. Mas tal facto não impediu que no dia seguinte, se comentasse pela praça: “Para onde será que iam os moços todos ontem à noite, faziam cá um barulho, aquilo só pode ser, droga ou paneleiragem.”

Agora vamos a eles!

Como estas coisas devem ser ditas antes e não depois (mesmo em condições difíceis), aqui fica!


18/12/2009

Um Bocadinho da Nossa História: O CineTeatro João de Deus

Já aqui referi o Cine Teatro João de Deus, fi-lo a propósito de um comício do PPD que ocorreu no pós 25 de Abril, mas esse acontecimento, embora engraçado, não faz justiça ao nosso velho cinema. Basta lembrar que por volta de 1946 já havia cinema em Messines (tinham então apenas uma sessão semanal, aos domingos), para perceber que no contexto Messinense não estamos a falar de uma casa qualquer.
Claro que as minhas recordações do cinema não vão assim tão longe, mas é inegável que o cinema de Messines teve um papel importante na minha formação. Passei naquela casa excelentes momentos e tive nele a oportunidade de assistir a inúmeros filmes marcantes. Por esse motivo bastante contente fiquei, ao ver que o Meirim tinha “pegado” no cinema e assim impedido que encerrasse, tal como aconteceu por exemplo em Silves.
Na altura (e ainda hoje), o facto de muitos Messinenses não respeitarem o silêncio que é devido durante a projecção do filme, era coisa que me irritava solenemente. No entanto, hoje, quando me lembro da frase que tantas vezes ouvi ao João Figueiredo, farto-me é de rir. Acontecia quase sempre da mesma forma, sempre que ia ao cinema, se o João por lá andava, já sabia, a meio do filme alguém gritava “João, João!”, ou outra coisa qualquer e ele invariavelmente respondia:

“Espera aí que já cagas, o penico agora está cheio”.

Mais recentemente, foi também no cinema de Messines que vislumbrei um dos melhores momentos de publicidade que já alguma vez me foi dado a ler, vejam lá se não está lá tudo:

“Se quer chegar depressa ao destino, Táxi do Zé Faustino”

Quando há tempos vi o filme Cinema Paradiso, ver em baixo, foi do CineTeatro que me lembrei.

Façam o favor de ter um excelente Natal



I’m looking forward to Christmas
It’s sentimental I know, but I just really like it


I’m, I’m hardly religious
I’d rather break bread with Dawkins than Desmond Tutu to be honest


And yes I have all of the usual objections to consumerism
The commercialisation of an ancient religion
And the westernisation of a dead Palestinian
Press-ganged into selling PlayStations and beer
But I still really like it.


I, I really like Christmas
Though I’m not expecting a visit from Jesus
I’ll be seeing my dad
My brother and sisters, my gran and my mum
They’ll be drinking white wine in the sun
I’ll be seeing my dad
My sisters and brother, my gran and my mum
We’ll be drinking white wine in the sun.


I don’t go for ancient wisdom
I don’t believe just ’cause ideas are tenacious it means that they’re worthy


I get freaked out by churches
Some of the hymns that they sing have nice chords
But the lyrics are dodgy


And yes I have all of the usual objections to the mis-education of children forced into a cult institution
And taughted to externalise blame
And to feel ashamed
And to judge things as plain right and wrong
But I quite like the songs.


I’m not expecting big presents
The old combination of socks, jocks and chocolate is just fine by me.
‘Cause I’ll be seeing my dad
My brother and sisters, my gran and my mum
They’ll be drinking white wine in the sun
I’ll be seeing my dad
My sisters and brothers, my gran and my mum
They’ll be drinking white wine in the sun.


And you my baby girl
My jetlagged infant daughter
You’ll be handed round the room
Like a puppy at a primary school
And you’re too young to know
But you will learn yourself one day
That wherever you are and whatever you face
These are the people who’ll make you feel safe in this world
My sweet blue-eyed girl


And if my baby girl
When you’re twenty-one or thirty-one
And Christmas comes around
And you find yourself nine thousand miles from home
You’ll know whatever comes
Your brother and sister, and me and your mum
Will be waiting for you in the sun
Girl, when Christmas comes
Your brothers and sisters, your aunts and your uncles
Your grandparents, cousins, and me and your mum
Will be drinking white wine in the sun
We’ll be waiting for you in the sun


Baby, whenever you come
We’ll be drinking white wine in the sun
Waiting.


I, I really like Christmas
It’s sentimental I know.

17/12/2009

Governo aprova casamento homossexual.

"O Governo aprovou hoje a proposta de lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo."
in Expresso online

Acho Bem. Desde já digo nada ter a opor a tal decisão.Embora pense não ser esta a melhor altura para o fazer, há assuntos muito mais importantes a preocupar os portugueses.

14/12/2009

O que ando a ouvir: Meat Loaf-Paradise by the Dashboard Light

Só para acabar o dia e desanuviar a cabeça. Uma das minhas músicas preferidas. (Para terem acesso à letra, fechem a publicidade que aparece no início do vídeo)

A Ciência por quem a faz: A Luz e as Moléculas, determinar o tempo de vida da luminosidade emitida.

Já aqui foi dito que a luz emitida pelas moléculas, quando retornam ao seu estado fundamental e após terem sido excitadas por absorção de luz, seja ela fluorescência ou fosforescência, contem em si bastante informação. Um dos parâmetros mais relevantes é o seu tempo de vida. Por exemplo uma molécula que por si só tenha um estado excitado com um tempo de vida de 10 nanosegundos (0.000 000 01 s), ao interactuar com uma outra, poderá ver o tempo de vida do seu estado excitado bastante reduzido. É o que se passa com certas moléculas que intervêm em processos biológicos, por exemplo.
É assim importante que possamos medir os tempos de vida da luminescência apresentada por determinadas moléculas. Desse modo poderemos estudar o tipo de interacções que estas têm, ou mesmo medir distâncias entre moléculas localizadas em diferentes partes de uma proteína.
No entanto a determinação do tempo de vida de uma molécula está longe de ser um processo trivial, para o fazer necessitamos de um cronómetro. Não um cronómetro vulgar, mas sim um que permita medir intervalos de tempo com a duração de nanosegundos (0.000 000 001 segundos).
A foto em baixo mostra um dispositivo capaz de medir tais intervalos de tempo. É formado por um laser (à esquerda na imagem) que emite um pulso de luz a cada 13 nanosegundos, cada um dos pulsos é então usado para excitar a amostra que se pretende estudar (podem vê-la com uma luminosidade azul à direita na imagem) e simultaneamente disparar o cronómetro, iniciando assim a contagem do tempo. Por último o cronómetro será por sua vez parado ao receber um dos fotões emitidos pela própria amostra. A repetição desta operação à taxa de 76 milhões de pulsos por segundo, permitirá então obter uma representação estatística da emissão que se pretende medir, em função do tempo, permitindo assim a medida do seu tempo de vida.



O gráfico em baixo mostra a luminosidade de uma molécula orgânica em função do tempo (obtido com o cronómetro mostrado em cima), note como a intensidade diminui à medida que o tempo passa.


O que ando a ouvir: BONEY M - MA BAKER

Para vos aquecer a segunda-feira, que está fria como tudo, deixo-vos aqui uma música que fez a felicidade de muitos Messinenses, particularmente daqueles que hoje andam pelas 50 primaveras.

12/12/2009

Um Bocadinho da Nossa História:O Externato João de Deus

Passado o período "delico-doce" da escola primária, cheguei ao ciclo, era assim que se chamava o 1º e 2º ano, hoje conhecidos como o 5º e 6º ano. Foi quase unânime, a opinião entre os nossos pais, de usar para este ciclo lectivo, os serviços do Externato João de Deus em Messines.
Localizado junto ao café dos caracóis ou, como então era conhecido, café do João Sacramento, no prédio onde ainda hoje se encontra a sapataria da mãe dos manos Estevens, tinha como ginásio, o armazém onde até há pouco tempo foi uma loja de sementes e, as salas de aula estavam localizadas nas traseiras desse mesmo prédio.
O Externato era frequentado por jovens de todas as localidades vizinhas, Messines-de-Baixo, São Marcos, Benafim, Paderne e se não estou em erro, penso até que havia pessoas de Salir. Trazia bastante vida e actividade económica a Messines. Se tiverem dúvidas quanto a isto, lembrem-se das sandes de Atum com cebola que o Sr. João insistia em servir à malta que vinha de São Marcos e arredores, o odor a “cebolum” que perdurava duarante toda a tarde era de tal ordem que facilmente se podia identificar quem lá tinha almoçado.
No Externato conheci como professores, entre outros, o Chico Mateus (cujo pai era o director e dono do Externato) e a sua esposa, professores de Matemática e Francês respectivamente. Devo dizer que parte do Francês que ainda hoje sei deve-se a esta senhora. Delineava bastante bem as suas aulas e obrigava-nos a decorar até à exaustão os verbos e estruturas gramaticais. O mesmo (espero que ele não me leve a mal) já não posso dizer das aulas de matemática dadas pelo Chico Mateus, cujo facto mais saliente de que me lembro foi o de ter-me aplicado duas bofetadas, quando na entrega de dois testes corrigidos e que tinha mandado fazer consecutivamente, verificou que no primeiro eu tinha tido negativa e no segundo uma positiva bastante elevada, algo que muito o deve ter irritado, embora eu não perceba o porquê. Ainda hoje imagino o que teria acontecido se tenho tido positiva no primeiro e negativa no segundo, ou negativa em ambos, ou ainda, “vade retro”, positiva em ambos. As combinações são tantas que até fico com dor de cabeça só de pensar nisto.
No Externato o leque de amigos alargou-se bastante, lembro entre muitos outros o Rui Miguel de Benafim, que pelo que me disseram há algum tempo atrás, faleceu enquanto aguardava por um transplante de coração. Uma merda.
Recordo também o “Manel”, penso que vinha de São Marcos, era um tipo alto e forte, muito mais alto do que qualquer um de nós e por vezes aplicava-nos uns “calduços”. O Manel tinha uma fixação em factos relacionados com o sexo e, em particular, com as actividades que se poderiam vir a desenvolver com as representantes do sexo oposto. Serve esta introdução para vos colocar no contexto do episódio seguinte: No final do 2º ano tivemos todos de ir a Silves fazer exame, (o Externato era um estabelecimento de ensino privado e não deveria ter alvará para os fazer), entre os vários exames, tivemos naturalmente que realizar a oral de Francês, que o Manel invariavelmente também fez, claro. Questionado em francês sobre o que mais gostava, o Manel respondeu "les films, ao que a professora examinadora, retorquiu, “Oui, oui, mais quel genre de films” e o Manel respondeu, orgulhosamente, “les pornographiques”.
Fruto do tempo que então se vivia, a vida no Externato acabou por degenerar na anarquia quase absoluta, embora não guarde os motivos pelos quais o desfecho se deu, lembro que o final foi particularmente doloroso, professores a serem insultados e corridos à pedrada, greves às aulas, chamada da GNR, de tudo se viu. Se houver por aí alguém com boa memória e queira contar a história do Externato João de Deus, ficaria grato.

O que ando a ouvir: Pink Floyd-Wish You Were Here

Para recordar, uma música e um dos grupos que mais marcou a minha adolescência e penso também a de muitos de vós.

Um Bocadinho da Nossa História: Como Eu, um dia fiz greve à escola.

Se a Dª Alice foi a professora do pré-25 de Abril, a Dª Natália foi a que fez a transição do antigo regime para os novos tempos e, continuou até eu sair da escola primária. Não me recordo de ver esta senhora bater em algum de nós, talvez o tenha feito e seja eu apenas que não me recordo. Guardo dela uma óptima imagem.
As mudanças na escola foram radicais. Em primeiro lugar as classes passaram a ser mistas, é isso mesmo, os mais novos talvez não saibam, mas antes do 25 de Abril não tínhamos cá misturas, havia salas para rapazes e salas para raparigas, tudo bem separado para não haver confusões e, até no recreio, nos tempos livres entre as aulas, estávamos separados.
O ensino antes rígido e bastante formal passou a obedecer a uma nova dinâmica. Foi colocada uma mesa central na sala e passámos a ser encorajados a levantarmo-nos para irmos buscar o material que fosse necessário. Penso que o objectivo seria o de estimular a independência de cada um, mas continuava a existir, vindo da influência do antigo regime, um enorme respeito pelas professoras (pelo menos ao nível da escola primária). Sou da opinião que esse respeito e disciplina têm claramente de existir se queremos chegar a algum lado no ensino.
Nos outros níveis de ensino, o período do PREC foi muito mais conturbado, foi o tempo das RGAs (Reunião Geral de Alunos), o tempo do saneamento dos professores, o tempo em que alunos passaram a professores quase de um dia para o outro etc. (haverá neste período, estou certo, bastantes histórias engraçadas para contar). Enfim foi o tempo em que se destruiu quase tudo o que o antigo sistema tinha construído, quer aquilo que tinha de mau, e era muito, quer o que tinha de bom, como por exemplo um ensino profissional de muito boa qualidade. Ainda hoje, passados 35 anos, penso não termos recuperado de tal devaneio.
Para terminar deixem que recorde apenas mais este episódio engraçado. Levados pelo que se ouvia dizer aos irmãos mais velhos, (os estudantes em Silves faziam greves quase diariamente), também nós um dia delineamos a nossa greve na escola primária. Penso que o movimento foi liderado pelo Fialho, o mais novo e que já não vejo há bastante tempo, lembro-me até de ter achado aquilo um pouco ridículo, mas naquela altura a questão do ridículo claramente não se colocava.
A dita greve começou pela manhã, deveríamos ter entrado nas aulas às 9 em ponto e passados cerca de 15 minutos (penso eu) ainda brincávamos alegremente no recreio, situado na parte de trás da escola. Estávamos finalmente, também nós, em greve e gritávamos: Greve, Greve! Foi nesse momento que a porta de trás se abriu, apareceram as professoras e disseram “meninos, para dentro!”. A nossa greve tinha terminado. Fora breve, mas participada.

Um Bocadinho da Nossa História: Ainda o Núcleo de xadrez da Sociedade de Messines

Acabo de descobrir um comentário de um leitor não identificado, que achei engraçadíssimo.
Aproveitando a prerrogativa do chefe da estação, decidi passá-lo à categoria de post. Faço-o essencialmente por duas razões, em primeiro lugar para fazer uma homenagem ao Vieirinha, também ele um campeão de xadrez messinense, em segundo lugar, para fazer notar que já vamos em três campeões de xadrez, o Luís Barradas, o Carrasqueiro e o Vieirinha, mostrando bem o sucesso alcançado pelo núcleo.

“Em má hora ensinei esse Carrasqueiro a jogar xadrez, tinha muito mau perder! O Vieirinha foi campeão nacional de juvenis e vice de juniores.” leitor não identificado

10/12/2009

As luzinhas de Natal.

Acabo de receber a notícia, via um email de um leitor interessado, a quem desde já agradeço, embora não o identifique pois não sei se ele quer que o faça. Messines lá recebeu a iluminação de Natal. Mas, pelo que parece, Messines só foi bafejado por esta dádiva natalícia porque protestou, mas não pensem que o protestar é 100% eficaz, não é! Podem por isso deixar-se estar sentados.
Como o dinheiro não abunda e está até cada vez mais escasso, enquanto Silves recebeu as novas luzinhas, Messines ficou com as já usadas. É assim como se faz com os brinquedos dos meninos, os do irmão mais velho passam para o mais novo.
Desde já digo que não sou particularmente a favor ou contra as luzinhas de Natal, é coisa que não me impressiona por aí além, mas já sou mais sensível contra as injustiças, pois se Silves tinhas as luzinhas ainda boas, e compraram novas, porque não vieram estas para Messines? Então isto há aqui filhos e enteados?
Bom coloquei-me em campo e contactei o Eliseu para reparar esta injustiça. Este ano, se o Eliseu conseguir arranjar quem lhe empreste mais umas ovelhas e uns cães, não esqueçam que ele só tem a meu cargo 14 ovelhas e 7 cabras, além do Bolinhas, mas este não vai conseguir dar conta de tudo.
Dizia eu, este ano se o Eliseu conseguir em tempo útil obter as ovelhas que referi, vou treinar as bichas para fazerem o mesmo que os moços que podem ver no vídeo em baixo fizeram.
Sempre quero ver se Silves consegue fazer igual.