O primeiro é que aquilo é bastante divertido, até já tinha arranjado um jogo e tudo. Consistia simplesmente em verificar se conseguia fazer o percurso sem cair em nenhum dos buracos, claro que a velocidade média a que conduzia ia aumentando à medida que cumpria com sucesso cada etapa. Consegui chegar bastante longe, estava satisfeito e cheguei mesmo a acreditar ter jeito para fazer o Dakar, mas, já para o fim, o nosso novo presidente da Junta de Freguesia (penso que foi ele) veio estragar-me a brincadeira, (começa mal este presidente, o do Algoz é muito mais divertido).
Não sei o que lhe passou pela cabeça, mas não é que o malfadado mandou tapar alguns dos buracos entre Messines e os Calvos. Assim num ápice, retirou para aí uns dez ou vinte à prova, aquilo ficou muito mais fácil e tive que recomeçar a contagem de novo. Uma maçada.
A outra vantagem que descobri foi o facto de ter observado em Messines a primeira singularidade do espaço-tempo de que há registo (pelo menos que eu saiba). Até lhe deram nome e tudo, chamam-lhe o Joinal.
O Joinal é um não-lugar, um sítio onde se pode estar e ao mesmo tempo não estar. Descobri mesmo que o mais complicado é lá estar, pelo menos no local onde a linha que une as placas de início e fim do Joinal cruza a estrada Messines-Algoz. As ditas placas estão tão bem alinhadas, que a dita linha faz uma perfeita perpendicular à estrada e assim, mesmo querendo, estar no Joinal é complicado, sobra sempre um bocado dos sapatos que não estando na linha também não está no Joinal.
Assim o engraçado é que pode-se estar e simultaneamente não estar no Joinal, pode-se também não-estar no Joinal (o que até frequentemente acontece) mas já estar no Joinal é bem mais complicado.
(O Joinal, quando se vai de Messines para o Algoz. Reparem nas placas de início e fim do Joinal, a primeira do lado direito e a segunda ao lado esquerdo da estrada)
(O Joinal, visto na situação inversa. Vindo agora do Algoz.)

