03/03/2010
"Os Armacenenses" 10 - UD Messinense 0
Armação de Pêra e Messines são ambas vilas do concelho de Silves. Uma situada à beira mar e a outra no barrocal algarvio. Por força da sua localização geográfica, as duas terão, imagino, diferentes oportunidades de acesso a financiamento. Não fico por isso surpreso, pela maior dinâmica mostrada pelos Armaceneses quando comparada ao seu homologo Messinense. No entanto, não creio que esse factor, só por si, possa explicar tudo, tamanha a diferença que surge da imagem (e não só) que os dois clubes mostram e o que oferecem aos respectivos conterrâneos.
Que se passa União Desportiva Messinense?
27/02/2010
Algarve, cinquenta anos atrás.
Aqui há uns tempos atrás, o Paulo Silva, enviou-me umas fotos deliciosas sobre o Algarve de há 50 anos. Desde já aviso, a quem ainda não o fez, que ver estas fotos pode ser extremamente perigoso, pelo que, se sofre do coração é melhor primeiro sentar-se e agarrar um copo de água ou de vinho para ir bebendo à medida que é vergastado, chega a ser doloroso ver o que estragámos, deixámos estragar, ou que por um simples encolher de ombros não conseguimos impedir que outros, irremediavelmente estragassem. Deixo-vos com dois ou três bons exemplos.
(Faro-O Hotel Eva, a ria e as docas)
Esta coisa do Algarve de há 50 anos fez-me lembrar os tempos em que cheguei a Messines, eu vinha, ainda miúdo do Alentejo profundo e, confesso, com os meus 5 anos de idade de então, ainda não tinha visto o mar. Foi por isso que ao chegar a Faro, no comboio que me trouxe de Vila-Viçosa acompanhado da minha mãe, ao chegar à beira da ria, prontamente me levantei em plena carruagem e gritando a plenos pulmões apontei “olha o Mar”!
(Armação de Pêra-junto ao casino)
Ao chegar a Messines mais tarde, ainda era o tempo de expressões que agora já caíram, era o tempo do “Dab, mas que jeite”, “do tá marafado” e daquela que mais surpresa me causou, “xoxa”, é que este termo no Alentejo tinha e tem, um significado bem diferente, “xoxa” em alentejano significa algo estragado, uma fruta podre o que em Messines não é o caso.
"Caminho da Manhã
Vais pela estrada que é de terra amarela e quase sem nenhuma sombra. As cigarras cantarão o silêncio de bronze. À tua direita irá primeiro um muro caiado que desenha a curva da estrada. Depois encontrarás as figueiras transparentes e enroladas; mas os seus ramos não dão nenhuma sombra. E assim irás sempre em frente com a pesada mão do Sol pousada nos teus ombros, mas conduzida por uma luz levíssima e fresca. Até chegares às muralhas antigas da cidade que estão em ruínas. Passa debaixo da porta e vai pelas ruas estreitas, direitas e brancas, até encontrares em frente do mar uma grande praça quadrada e clara que tem no centro uma estátua. Segue entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro branco, o branco de cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso no sopro corrido e fresco do mar. Entra no mercado e vira à tua direita e ao terceiro homem que encontrares em frente da terceira banca de pedra compra peixes. Os peixes são azuis e brilhantes e escuros com malhas pretas. E o homem há-de pedir-te que vejas como as suas guelras são encarnadas e que vejas bem como o seu azul é profundo e como eles cheiram realmente, realmente a mar. Depois verás peixes pretos e vermelhos e cor-de-rosa e cor de prata. E verás os polvos cor de pedra e as conchas, os búzios e as espadas do mar. E a luz se tornará líquida e o próprio ar salgado e um caranguejo irá correndo sobre uma mesa de pedra. Á tua direita então verás uma escada: sobe depressa mas sem tocar no velho cego que desce devagar. E ao cimo da escada está uma mulher de meia idade com rugas finas e leves na cara. E tem ao pescoço uma medalha de ouro com o retrato do filho que morreu. Pede-lhe que te dê um ramo de louro, um ramo de orégãos, um ramo de salsa e um ramo de hortelã. Mais adiante compra figos pretos: mas os figos não são pretos mas azuis e dentro são cor-de-rosa e de todos eles corre uma lágrima de mel. Depois vai de vendedor em vendedor e enche os teus cestos de frutos, hortaliças, ervas, orvalhos e limões. Depois desce a escada, sai do mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do sol. Caminha até encontrares uma igreja alta e quadrada.
Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível."
Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto (1962)"
(Praia da Rocha)
"Caminho da Manhã
Vais pela estrada que é de terra amarela e quase sem nenhuma sombra. As cigarras cantarão o silêncio de bronze. À tua direita irá primeiro um muro caiado que desenha a curva da estrada. Depois encontrarás as figueiras transparentes e enroladas; mas os seus ramos não dão nenhuma sombra. E assim irás sempre em frente com a pesada mão do Sol pousada nos teus ombros, mas conduzida por uma luz levíssima e fresca. Até chegares às muralhas antigas da cidade que estão em ruínas. Passa debaixo da porta e vai pelas ruas estreitas, direitas e brancas, até encontrares em frente do mar uma grande praça quadrada e clara que tem no centro uma estátua. Segue entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro branco, o branco de cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso no sopro corrido e fresco do mar. Entra no mercado e vira à tua direita e ao terceiro homem que encontrares em frente da terceira banca de pedra compra peixes. Os peixes são azuis e brilhantes e escuros com malhas pretas. E o homem há-de pedir-te que vejas como as suas guelras são encarnadas e que vejas bem como o seu azul é profundo e como eles cheiram realmente, realmente a mar. Depois verás peixes pretos e vermelhos e cor-de-rosa e cor de prata. E verás os polvos cor de pedra e as conchas, os búzios e as espadas do mar. E a luz se tornará líquida e o próprio ar salgado e um caranguejo irá correndo sobre uma mesa de pedra. Á tua direita então verás uma escada: sobe depressa mas sem tocar no velho cego que desce devagar. E ao cimo da escada está uma mulher de meia idade com rugas finas e leves na cara. E tem ao pescoço uma medalha de ouro com o retrato do filho que morreu. Pede-lhe que te dê um ramo de louro, um ramo de orégãos, um ramo de salsa e um ramo de hortelã. Mais adiante compra figos pretos: mas os figos não são pretos mas azuis e dentro são cor-de-rosa e de todos eles corre uma lágrima de mel. Depois vai de vendedor em vendedor e enche os teus cestos de frutos, hortaliças, ervas, orvalhos e limões. Depois desce a escada, sai do mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do sol. Caminha até encontrares uma igreja alta e quadrada.
Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível."
Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto (1962)"
Is anybody out there, hello?
Após uma longa interrupção aqui está o Messines-Alte de volta.
A todos os que aqui continuaram a vir em busca de novidades o meu obrigado.
Vamos agora ao que interessa,Messines tem andado animado, não sei é se tem sido pelas melhores razões. O facto mais saliente tem sido a guerra fratricida em curso pelo poder na CCAM, de um lado uma lista B e do outro, bom do outro ainda não se sabe, pelo menos é o que parece.
Tenho acompanhado a contenda a partir do principal veículo de informação da frente de batalha, o blog do José Paulo Sousa, assim sem "Dr." que ele não gosta, e este ainda nada revelou sobre a lista concorrente, sim, aquela que ninguém ainda viu, mas todos sabem que existe. Agora que escrevi isto, lembrei-me que também poderá ser que o José Paulo não revele nada da lista invisível, por apoiar a visível (isto está a ficar complicado). Pois eu deixo aqui o repto: gostava de saber quem são os membros da lista invisível, digo estes, pois os da visível já são conhecidos.
Noutro ponto da vila temos a inauguração da Sociedade Recreativa Messinense, agora com nova gestão. Fiquei foi desolado,certamente por esquecimento e consequência da minha longa ausência, ninguém da Sociedade ter feito chegar ao Messines-Alte uma notícia da inauguração.
Para finalizar registo com agrado o post que o grupo Percutunes me fez chegar como divulgação do espectáculo que vão dar em Messines. A propósito deles, os Percutunes, fui ver o link que me deixaram e gostei muito do que vi e ouvi. É sempre bom saber que há quem continue empenhado em actividades do género.
A todos os que aqui continuaram a vir em busca de novidades o meu obrigado.
Vamos agora ao que interessa,Messines tem andado animado, não sei é se tem sido pelas melhores razões. O facto mais saliente tem sido a guerra fratricida em curso pelo poder na CCAM, de um lado uma lista B e do outro, bom do outro ainda não se sabe, pelo menos é o que parece.
Tenho acompanhado a contenda a partir do principal veículo de informação da frente de batalha, o blog do José Paulo Sousa, assim sem "Dr." que ele não gosta, e este ainda nada revelou sobre a lista concorrente, sim, aquela que ninguém ainda viu, mas todos sabem que existe. Agora que escrevi isto, lembrei-me que também poderá ser que o José Paulo não revele nada da lista invisível, por apoiar a visível (isto está a ficar complicado). Pois eu deixo aqui o repto: gostava de saber quem são os membros da lista invisível, digo estes, pois os da visível já são conhecidos.
Noutro ponto da vila temos a inauguração da Sociedade Recreativa Messinense, agora com nova gestão. Fiquei foi desolado,certamente por esquecimento e consequência da minha longa ausência, ninguém da Sociedade ter feito chegar ao Messines-Alte uma notícia da inauguração.
Para finalizar registo com agrado o post que o grupo Percutunes me fez chegar como divulgação do espectáculo que vão dar em Messines. A propósito deles, os Percutunes, fui ver o link que me deixaram e gostei muito do que vi e ouvi. É sempre bom saber que há quem continue empenhado em actividades do género.
09/02/2010
Coitado do Sporting!!!!!
Quando algo começa deste modo, o que se pode esperar......
08/02/2010
Homem do Norte não Grita!!!!!!!!!!!!!
Ou também se pode dizer "Hoje há Palhaços"
01/02/2010
O que ando a ouvir:The Cranberries-Zombie
Another head hangs lowly
Child is slowly taken
And the violence caused such silence
Who are we mistaken
But You see it's not me,
It's not my family
In your head,in your
Head they are fighting
With their tanks, and their bombs
And their bombs, and their guns
In your head,
In your head they are cryin'
In your head
Zombie
What's in your head, in your head
Zombie
Another mother's breakin'
Heart is taking over
When the violence causes silence
We must be mistaken
It's the same old theme since 1916
In your head,
In your head they're still fightin'
With their tanks
In your head they are dying
In your head, in your head
Zombie
What's in your head, in your head
Zombie
Algo que não devia ter acontecido.
Aviso desde já que embora não tenha votado Sócrates (nem em qualquer outro), não descubro nos líderes partidários actuais, alguém por quem os Portugueses devam trocar Sócrates. Mal por mal, já basta assim.
No entanto, há situações que um primeiro-ministro que se quer sério deve de todo evitar. Conto entre elas o que hoje veio a lume em relação a Mário Crespo.
Que o JN tenha recusado o artigo de opinião com base nas razões que invocou, até compreendo, agora já não posso aceitar que o nosso primeiro-ministro se refira a um jornalista como um “problema que é necessário resolver”.
A favor de Sócrates só encontro, por incrível que pareça, os exemplos (mal escolhidos) que o próprio Mário Crespo resolveu ir buscar no seu artigo, para mostrar “problemas” já resolvidos por Sócrates, Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz.
É que tanto um como o outro, não são de todo parte desinteressada na matéria e muito deixam a desejar à imparcialidade com que um jornalista deve pautar a sua vida profissional, parafraseando alguém, diria, estes, não fazem parte da solução mas sim do problema.
Adenda: Parece que o bom do Mário Crespo, assim que lhe contaram a conversa do nosso primeiroe o JN lhe virou as costas, foi a correr publicar a sua crónica num "pasquim" do PSD. Nada melhor, para quem quer e precisa de mostrar credibilidade e isenção.
No entanto, há situações que um primeiro-ministro que se quer sério deve de todo evitar. Conto entre elas o que hoje veio a lume em relação a Mário Crespo.
Que o JN tenha recusado o artigo de opinião com base nas razões que invocou, até compreendo, agora já não posso aceitar que o nosso primeiro-ministro se refira a um jornalista como um “problema que é necessário resolver”.
A favor de Sócrates só encontro, por incrível que pareça, os exemplos (mal escolhidos) que o próprio Mário Crespo resolveu ir buscar no seu artigo, para mostrar “problemas” já resolvidos por Sócrates, Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz.
É que tanto um como o outro, não são de todo parte desinteressada na matéria e muito deixam a desejar à imparcialidade com que um jornalista deve pautar a sua vida profissional, parafraseando alguém, diria, estes, não fazem parte da solução mas sim do problema.
Adenda: Parece que o bom do Mário Crespo, assim que lhe contaram a conversa do nosso primeiroe o JN lhe virou as costas, foi a correr publicar a sua crónica num "pasquim" do PSD. Nada melhor, para quem quer e precisa de mostrar credibilidade e isenção.
23/01/2010
Um Bocadinho da Nossa História: Como Eu (e outros), um dia ganhamos um disco dos Já-Fumega.
Volto ao assunto do cinema, por ter encontrado no baú das recordações um velho cartaz de 1960, a anunciar um filme do Zorro no cinema de Messines.
Chegou até mim por via do senhor Joaquim Venâncio, que trabalhou no velho cinema nos anos quarenta, sendo responsável por colocar a funcionar o motor que fornecia a energia necessária à projecção do filme. Mais tarde, com o aparecimento da rede eléctrica, tal função deixou de ser necessária e o seu trabalho no cinema terminou.
Infelizmente, tal como ocorreu ao Senhor Joaquim, os tempos de hoje colocam desafios muito complicados ao cineteatro. Estou convicto que será muito difícil continuar a fazer face à concorrência que os tempos de hoje trazem. O apelo dos centros comerciais que oferecem possibilidades de divertimento e lazer mais variado, em conjunto com a maior facilidade de deslocação e as possibilidades de ver filmes em casa, quer por compra de um simples DVD (hoje a preços acessíveis) ou fazendo o download do filme através da net, coloca desafios muito difíceis de ultrapassar para um cinema de uma pequena localidade como Messines.
Quero também aproveitar a oportunidade para contar uma pequena história passada no cinema, que mostra como os tempos mudaram. Hoje, não acredito que fosse possível ao Helder Patrão organizar um evento semelhante. Quer dizer, ele organizar poderia organizar, não acredito é que tivesse espectadores em quantidade suficiente que o justificasse.
O Helder Patrão (aka Helderinho), um ex-vereador da nossa praça, sempre se mostrou atraído pela possibilidade de uma carreira que lhe desse a possibilidade de algum destaque público. Penso ter sido essa a razão que o levou a abraçar o papel de vereador na CM de Silves e, na sua juventude, por altura dos anos 80, a organizar no cineteatro João de Deus um espectáculo ao tipo do “pão com manteiga”, um programa de rádio apresentado por Júlio Isidro e que ficou célebre nessa época.
O espectáculo caracterizou-se por música (penso que havia um grupo a tocar ao vivo mas já não me recordo qual) e alguns passatempos. Num deles a audiência foi chamada a identificar o grupo autor de uma música, da qual o Helder tinha acabado de passar um pequeno trecho. Para sorte nossa, nessa mesma manhã eu tinha ouvido na rádio essa mesma música, pelo que não foi difícil acertar e identificar os “Taxi”.
O segundo passatempo já foi mais complicado, a audiência foi chamada a trazer ao palco do cineteatro uma galinha e fazê-la cantar (por aqui já podem ver a duração do dito espectáculo). Lembro-me de termos saído do cineteatro para ir buscar a galinha e ganhar o passatempo.
O Primeiro desafio deu-nos como prémio o disco dos táxi, (a música podem ouvi-la aqui em baixo). O segundo deu-nos o disco dos “Já-fumega” cuja foto aqui podem ver.
Chegou até mim por via do senhor Joaquim Venâncio, que trabalhou no velho cinema nos anos quarenta, sendo responsável por colocar a funcionar o motor que fornecia a energia necessária à projecção do filme. Mais tarde, com o aparecimento da rede eléctrica, tal função deixou de ser necessária e o seu trabalho no cinema terminou.
Infelizmente, tal como ocorreu ao Senhor Joaquim, os tempos de hoje colocam desafios muito complicados ao cineteatro. Estou convicto que será muito difícil continuar a fazer face à concorrência que os tempos de hoje trazem. O apelo dos centros comerciais que oferecem possibilidades de divertimento e lazer mais variado, em conjunto com a maior facilidade de deslocação e as possibilidades de ver filmes em casa, quer por compra de um simples DVD (hoje a preços acessíveis) ou fazendo o download do filme através da net, coloca desafios muito difíceis de ultrapassar para um cinema de uma pequena localidade como Messines.
Quero também aproveitar a oportunidade para contar uma pequena história passada no cinema, que mostra como os tempos mudaram. Hoje, não acredito que fosse possível ao Helder Patrão organizar um evento semelhante. Quer dizer, ele organizar poderia organizar, não acredito é que tivesse espectadores em quantidade suficiente que o justificasse.
O Helder Patrão (aka Helderinho), um ex-vereador da nossa praça, sempre se mostrou atraído pela possibilidade de uma carreira que lhe desse a possibilidade de algum destaque público. Penso ter sido essa a razão que o levou a abraçar o papel de vereador na CM de Silves e, na sua juventude, por altura dos anos 80, a organizar no cineteatro João de Deus um espectáculo ao tipo do “pão com manteiga”, um programa de rádio apresentado por Júlio Isidro e que ficou célebre nessa época.
O espectáculo caracterizou-se por música (penso que havia um grupo a tocar ao vivo mas já não me recordo qual) e alguns passatempos. Num deles a audiência foi chamada a identificar o grupo autor de uma música, da qual o Helder tinha acabado de passar um pequeno trecho. Para sorte nossa, nessa mesma manhã eu tinha ouvido na rádio essa mesma música, pelo que não foi difícil acertar e identificar os “Taxi”.
O segundo passatempo já foi mais complicado, a audiência foi chamada a trazer ao palco do cineteatro uma galinha e fazê-la cantar (por aqui já podem ver a duração do dito espectáculo). Lembro-me de termos saído do cineteatro para ir buscar a galinha e ganhar o passatempo.
O Primeiro desafio deu-nos como prémio o disco dos táxi, (a música podem ouvi-la aqui em baixo). O segundo deu-nos o disco dos “Já-fumega” cuja foto aqui podem ver.
A Autonomia do Algarve
Desde já me confesso, para que não haja quaisquer dúvidas, sou contra qualquer autonomia no território Nacional, sendo como é óbvio assim, também contra a autonomia do Algarve. Mesmo relativamente às autonomias que todos nós conhecemos, Açores e Madeira, que têm por base as dificuldades levantadas pelo seu isolamento geográfico, eu sou contra.
Considero que o território nacional é uno e como tal assim deve ser tratado, quer isto dizer que não vejo por que razão um Madeirense deva ter mais direitos à Madeira do que eu, assim como o mesmo é verdade para um Nortenho em relação ao Algarve ou a qualquer outra região nacional.
O Estado deve providenciar os meios, para que todo o país se desenvolva de forma harmoniosa e sem a necessidade de recorrer a figuras como a da autonomia. Todos sabemos que na prática não é assim que acontece e, infelizmente, há zonas do país que são mais favorecidas do que outras, mas este é um problema diferente.
Repare-se que não sou contra que determinadas regiões tenham diferentes prioridades, que umas possam investir mais no ensino, outras na cultura e ainda outras mais na agricultura. Sou totalmente a favor que cada região faça o que bem entender fazer com a dotação orçamental que lhe é dada e, se quiserem chamar a essa liberdade de escolher onde investir, autonomia, então tudo bem serei assim a favor, mas só nesse ponto.
O que já não gosto é que por trás destas vontades autonómicas escondem-se quase sempre a vontade de alguns em tornar o seu quintal independente e ganhar poder, com isso, eu já não concordo.
Vem tudo isto a propósito do post do Paulo Silva (por quem tenho grande apreço), no seu Penedo, em que faz a apologia da autonomia do Algarve como forma de combater males como a segurança, o desemprego, a saúde etc. Além de achar não ser a autonomia a panaceia para tantos males. Vejo mais uma vez na argumentação do Paulo, a ideia que muitos outros perfilham, “desde que o meu pedaço esteja bem o resto que se lixe”.
Portugal é um país pequeno, tem leis de sobra para controlar tudo e mais alguma coisa, só precisa é de ter juízo.
Por mim e vez da Autonomia do Algarve, proponho uma outra medida muito mais singela:
Revisão da Constituição com introdução da obrigatoriedade do voto. Criação em simultâneo da figura do voto de protesto com efeito directo no número de lugares na assembleia da república. O número de lugares disponíveis no parlamento, a serem ocupados pelos deputados eleitos, seria inversamente proporcional ao número de votos de protesto, sendo o corte de lugares mais pronunciado nos partidos com a maior representação parlamentar.
Veriam como tudo se resolvia.
Considero que o território nacional é uno e como tal assim deve ser tratado, quer isto dizer que não vejo por que razão um Madeirense deva ter mais direitos à Madeira do que eu, assim como o mesmo é verdade para um Nortenho em relação ao Algarve ou a qualquer outra região nacional.
O Estado deve providenciar os meios, para que todo o país se desenvolva de forma harmoniosa e sem a necessidade de recorrer a figuras como a da autonomia. Todos sabemos que na prática não é assim que acontece e, infelizmente, há zonas do país que são mais favorecidas do que outras, mas este é um problema diferente.
Repare-se que não sou contra que determinadas regiões tenham diferentes prioridades, que umas possam investir mais no ensino, outras na cultura e ainda outras mais na agricultura. Sou totalmente a favor que cada região faça o que bem entender fazer com a dotação orçamental que lhe é dada e, se quiserem chamar a essa liberdade de escolher onde investir, autonomia, então tudo bem serei assim a favor, mas só nesse ponto.
O que já não gosto é que por trás destas vontades autonómicas escondem-se quase sempre a vontade de alguns em tornar o seu quintal independente e ganhar poder, com isso, eu já não concordo.
Vem tudo isto a propósito do post do Paulo Silva (por quem tenho grande apreço), no seu Penedo, em que faz a apologia da autonomia do Algarve como forma de combater males como a segurança, o desemprego, a saúde etc. Além de achar não ser a autonomia a panaceia para tantos males. Vejo mais uma vez na argumentação do Paulo, a ideia que muitos outros perfilham, “desde que o meu pedaço esteja bem o resto que se lixe”.
Portugal é um país pequeno, tem leis de sobra para controlar tudo e mais alguma coisa, só precisa é de ter juízo.
Por mim e vez da Autonomia do Algarve, proponho uma outra medida muito mais singela:
Revisão da Constituição com introdução da obrigatoriedade do voto. Criação em simultâneo da figura do voto de protesto com efeito directo no número de lugares na assembleia da república. O número de lugares disponíveis no parlamento, a serem ocupados pelos deputados eleitos, seria inversamente proporcional ao número de votos de protesto, sendo o corte de lugares mais pronunciado nos partidos com a maior representação parlamentar.
Veriam como tudo se resolvia.
21/01/2010
O que os outros dizem
Deixo-vos caso não tenham lido a interessante crónica de Ferreira Fernandes no DN
"
A desgraça ensina-nos muito
País que doou mais dinheiro ao Haiti? Os EUA. Normal, é gratidão - já explico. Segundo país? Itália. Itália, o segundo país do mundo a dar mais dinheiro ao Haiti? Bem, não foi bem dar, perdoou a dívida (55 milhões de dólares). O pobre do Haiti tem um terramoto devastador e o generoso do credor perdoa-lhe a dívida, é? Os haitianos vão comer o perdão? Não brinquem, as dívidas marcaram o Haiti - também já explico. Então, vamos lá às duas explicações. A primeira, sobre a gratidão dos EUA. O Haiti ficou independente, em 1804, depois de os antigos escravos terem corrido com a expedição militar francesa. Daí saíram duas boas consequências para a América. Os colonos brancos fugiram para Nova Orleães e introduziram uma das culturas, a do algodão, que construiu a sociedade americana. Por outro lado, derrotado no Haiti, Napoleão decidiu abandonar o Novo Mundo: vendeu ao desbarato o território da Louisiana aos EUA. Nesse dia, os EUA dobraram a superfície (diz-se que foi o melhor negócio da História). Fica explicada a gratidão. Em 1825, a França obriga o Haiti a pagar a independência, conseguida 20 anos antes: 150 milhões de francos-ouro (5 anos do orçamento da ilha). Pagar a dívida destruiu a economia do Haiti para sempre. Fica explicada a dívida. Os terramotos às vezes mostram-nos os caboucos do mundo.
Ferreira Fernandes, DN"
"
A desgraça ensina-nos muito
País que doou mais dinheiro ao Haiti? Os EUA. Normal, é gratidão - já explico. Segundo país? Itália. Itália, o segundo país do mundo a dar mais dinheiro ao Haiti? Bem, não foi bem dar, perdoou a dívida (55 milhões de dólares). O pobre do Haiti tem um terramoto devastador e o generoso do credor perdoa-lhe a dívida, é? Os haitianos vão comer o perdão? Não brinquem, as dívidas marcaram o Haiti - também já explico. Então, vamos lá às duas explicações. A primeira, sobre a gratidão dos EUA. O Haiti ficou independente, em 1804, depois de os antigos escravos terem corrido com a expedição militar francesa. Daí saíram duas boas consequências para a América. Os colonos brancos fugiram para Nova Orleães e introduziram uma das culturas, a do algodão, que construiu a sociedade americana. Por outro lado, derrotado no Haiti, Napoleão decidiu abandonar o Novo Mundo: vendeu ao desbarato o território da Louisiana aos EUA. Nesse dia, os EUA dobraram a superfície (diz-se que foi o melhor negócio da História). Fica explicada a gratidão. Em 1825, a França obriga o Haiti a pagar a independência, conseguida 20 anos antes: 150 milhões de francos-ouro (5 anos do orçamento da ilha). Pagar a dívida destruiu a economia do Haiti para sempre. Fica explicada a dívida. Os terramotos às vezes mostram-nos os caboucos do mundo.
Ferreira Fernandes, DN"
17/01/2010
Homenagem a Carlos Paredes
Hoje apeteceu-me homenagear este grande Senhor da música Portuguesa.
Porquê? Poderão perguntar vocês.
Porque me apeteceu, responderei eu, se tal questão se puser.
Porquê? Poderão perguntar vocês.
Porque me apeteceu, responderei eu, se tal questão se puser.
O Remexido
Terminei as minhas férias de Natal em Messines, com um belo jantar no Remexido, a casa do Zé Piasca, situada em frente ao Teófilo.
Este post vai parecer um pouco de publicidade, mas desde já digo que não o é, trata-se somente de fazer justiça a quem a merece.
O Zé está feito um verdadeiro "expert" na arte da restauração. Excelente atendimento, com simpatia, espaço limpo e arranjado como deve ser e, acima de tudo, uma fantástica comida. Primeiro que tudo as entradas, com um belo queijo, paio e umas sardinhas albardadas, estavam divinais. Depois, da minha parte foi um Sargo grelhado, que estava excelente. Tudo bem regado com um branco fresquinho.
Desde já apontei na minha agenda, que na próxima vez que encontrar o manfarrico que aqui responde por “Serrenho”, iremos dar alegrias ao palato na casa do Zé Piasca.
Confidenciou-me o Zé, agora presidente da casa do Povo de Messines, que a instituição está a viver momentos algo complicados. Uma situação a merecer a atenção das forças vivas da freguesia e do concelho, que não devem esquecer o papel que a Casa do Povo tem hoje em dia na freguesia ao nível educativo.
Este post vai parecer um pouco de publicidade, mas desde já digo que não o é, trata-se somente de fazer justiça a quem a merece.
O Zé está feito um verdadeiro "expert" na arte da restauração. Excelente atendimento, com simpatia, espaço limpo e arranjado como deve ser e, acima de tudo, uma fantástica comida. Primeiro que tudo as entradas, com um belo queijo, paio e umas sardinhas albardadas, estavam divinais. Depois, da minha parte foi um Sargo grelhado, que estava excelente. Tudo bem regado com um branco fresquinho.
Desde já apontei na minha agenda, que na próxima vez que encontrar o manfarrico que aqui responde por “Serrenho”, iremos dar alegrias ao palato na casa do Zé Piasca.
Confidenciou-me o Zé, agora presidente da casa do Povo de Messines, que a instituição está a viver momentos algo complicados. Uma situação a merecer a atenção das forças vivas da freguesia e do concelho, que não devem esquecer o papel que a Casa do Povo tem hoje em dia na freguesia ao nível educativo.
(A casa do Povo de Messines)
12/01/2010
Center of Explanations.
Nas minhas deambulações por Messines dei com isto que aqui vêem:
Eu até percebo a ideia do autor, atrair para o seu centro de explicações algum Inglês menos avisado que por ali passe. Digo “menos avisado”, porque com esse “Center of Explanations” vai ser difícil apanhar algum.
Como este blog se dedica a puxar pela vila, sugiro fortemente que retire o dito “Center of Explanations” e o substitua por um “After School Studies”, pode ser que assim a coisa funcione.
Eu até percebo a ideia do autor, atrair para o seu centro de explicações algum Inglês menos avisado que por ali passe. Digo “menos avisado”, porque com esse “Center of Explanations” vai ser difícil apanhar algum.
Como este blog se dedica a puxar pela vila, sugiro fortemente que retire o dito “Center of Explanations” e o substitua por um “After School Studies”, pode ser que assim a coisa funcione.
Avatar
Antes de deixar Messines consegui ir ver o Avatar. O novo filme de James Cameron.
Recomendo vivamente que vão ver a versão 3D. Os efeitos tridimensionais estão simplesmente fantásticos. Tempo bem passado, sem dúvida.
Já o contrário é verdade para outro filme que fui ver, o 2012, sugiro vivamente que evitem este.
Recomendo vivamente que vão ver a versão 3D. Os efeitos tridimensionais estão simplesmente fantásticos. Tempo bem passado, sem dúvida.
Já o contrário é verdade para outro filme que fui ver, o 2012, sugiro vivamente que evitem este.
11/01/2010
Existe em Messines uma verdadeira singularidade do espaço–tempo. Um “Não Lugar”.
Durante a minha recente estadia em Messines percorri vezes sem conta a estrada que liga Messines ao Algoz. Como acredito que em tudo o que fazemos devemos procurar um lado positivo, comecei por puxar pela cabeça e tentar encontrar algo positivo em percorrer uma estrada completamente esburacada. Encontrei dois aspectos, mas estou certo que mais haverá.
O primeiro é que aquilo é bastante divertido, até já tinha arranjado um jogo e tudo. Consistia simplesmente em verificar se conseguia fazer o percurso sem cair em nenhum dos buracos, claro que a velocidade média a que conduzia ia aumentando à medida que cumpria com sucesso cada etapa. Consegui chegar bastante longe, estava satisfeito e cheguei mesmo a acreditar ter jeito para fazer o Dakar, mas, já para o fim, o nosso novo presidente da Junta de Freguesia (penso que foi ele) veio estragar-me a brincadeira, (começa mal este presidente, o do Algoz é muito mais divertido).
Não sei o que lhe passou pela cabeça, mas não é que o malfadado mandou tapar alguns dos buracos entre Messines e os Calvos. Assim num ápice, retirou para aí uns dez ou vinte à prova, aquilo ficou muito mais fácil e tive que recomeçar a contagem de novo. Uma maçada.
A outra vantagem que descobri foi o facto de ter observado em Messines a primeira singularidade do espaço-tempo de que há registo (pelo menos que eu saiba). Até lhe deram nome e tudo, chamam-lhe o Joinal.
O Joinal é um não-lugar, um sítio onde se pode estar e ao mesmo tempo não estar. Descobri mesmo que o mais complicado é lá estar, pelo menos no local onde a linha que une as placas de início e fim do Joinal cruza a estrada Messines-Algoz. As ditas placas estão tão bem alinhadas, que a dita linha faz uma perfeita perpendicular à estrada e assim, mesmo querendo, estar no Joinal é complicado, sobra sempre um bocado dos sapatos que não estando na linha também não está no Joinal.
Assim o engraçado é que pode-se estar e simultaneamente não estar no Joinal, pode-se também não-estar no Joinal (o que até frequentemente acontece) mas já estar no Joinal é bem mais complicado.
O primeiro é que aquilo é bastante divertido, até já tinha arranjado um jogo e tudo. Consistia simplesmente em verificar se conseguia fazer o percurso sem cair em nenhum dos buracos, claro que a velocidade média a que conduzia ia aumentando à medida que cumpria com sucesso cada etapa. Consegui chegar bastante longe, estava satisfeito e cheguei mesmo a acreditar ter jeito para fazer o Dakar, mas, já para o fim, o nosso novo presidente da Junta de Freguesia (penso que foi ele) veio estragar-me a brincadeira, (começa mal este presidente, o do Algoz é muito mais divertido).
Não sei o que lhe passou pela cabeça, mas não é que o malfadado mandou tapar alguns dos buracos entre Messines e os Calvos. Assim num ápice, retirou para aí uns dez ou vinte à prova, aquilo ficou muito mais fácil e tive que recomeçar a contagem de novo. Uma maçada.
A outra vantagem que descobri foi o facto de ter observado em Messines a primeira singularidade do espaço-tempo de que há registo (pelo menos que eu saiba). Até lhe deram nome e tudo, chamam-lhe o Joinal.
O Joinal é um não-lugar, um sítio onde se pode estar e ao mesmo tempo não estar. Descobri mesmo que o mais complicado é lá estar, pelo menos no local onde a linha que une as placas de início e fim do Joinal cruza a estrada Messines-Algoz. As ditas placas estão tão bem alinhadas, que a dita linha faz uma perfeita perpendicular à estrada e assim, mesmo querendo, estar no Joinal é complicado, sobra sempre um bocado dos sapatos que não estando na linha também não está no Joinal.
Assim o engraçado é que pode-se estar e simultaneamente não estar no Joinal, pode-se também não-estar no Joinal (o que até frequentemente acontece) mas já estar no Joinal é bem mais complicado.
(O Joinal, quando se vai de Messines para o Algoz. Reparem nas placas de início e fim do Joinal, a primeira do lado direito e a segunda ao lado esquerdo da estrada)
(O Joinal, visto na situação inversa. Vindo agora do Algoz.)
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