Quando iniciei esta segunda vida do Messines-Alte, fi-lo, já me disseram, escolhendo um tema fracturante, no caso, o casamento homossexual, de que me declarei a favor. Na altura afirmei também que mais tarde daria a minha opinião sobre a possibilidade de casais homossexuais virem a adoptar crianças.
Pois bem, penso ser chegada altura de cumprir o prometido.
Neste particular da adopção já não posso afirmar ser a favor. Pelo contrário tenho dúvidas, muitas, mas que penso serem legítimas.
Tenho dúvidas se a vivência de uma criança no seio de uma família homossexual, irá ou não condicionar a sua sexualidade. Eu sei que o mesmo se passa numa família heterossexual, nós, heterossexuais, condicionamos a sexualidade dos nossos filhos, pelos exemplos que damos, conversas que temos etc, mas esta situação eu considero legítima, por ser natural, no sentido em que natural é a sexualidade que conduz à reprodução e em última análise à sobrevivência da espécie. No caso homossexual já nada disto se passa, a sexualidade homo não tem por fim a reprodução mas sim o bem-estar do indivíduo, o que sendo legítimo, penso dever ser uma escolha livre e ponderada de cada um e, como tal, livre de qualquer condicionalismo.
Por último, eu sei que existem por aí uns estudos que afirmam não ter a vivência no seio de uma família homossexual qualquer influência na escolha sexual futura. Pode ser, mas permitam que vos diga, que tenho várias dúvidas sobre os estudos que referi. Estes são necessariamente estudos longos, e nos quais a quantidade de variáveis que podem influenciar a conclusão final será vasta, tão vasta que os tornará quase inúteis quando se trata de legislar em áreas tão sensíveis como esta e numa escala temporal tão curta.
Ney Matogrosso-Nunca vi rastro de cobra, Nem couro de lobisomem, Se correr o bicho pega, Se ficar o bicho come