Para o ano vamos à terceira edição.
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19/09/2011
23/01/2010
Um Bocadinho da Nossa História: Como Eu (e outros), um dia ganhamos um disco dos Já-Fumega.
Volto ao assunto do cinema, por ter encontrado no baú das recordações um velho cartaz de 1960, a anunciar um filme do Zorro no cinema de Messines.
Chegou até mim por via do senhor Joaquim Venâncio, que trabalhou no velho cinema nos anos quarenta, sendo responsável por colocar a funcionar o motor que fornecia a energia necessária à projecção do filme. Mais tarde, com o aparecimento da rede eléctrica, tal função deixou de ser necessária e o seu trabalho no cinema terminou.
Infelizmente, tal como ocorreu ao Senhor Joaquim, os tempos de hoje colocam desafios muito complicados ao cineteatro. Estou convicto que será muito difícil continuar a fazer face à concorrência que os tempos de hoje trazem. O apelo dos centros comerciais que oferecem possibilidades de divertimento e lazer mais variado, em conjunto com a maior facilidade de deslocação e as possibilidades de ver filmes em casa, quer por compra de um simples DVD (hoje a preços acessíveis) ou fazendo o download do filme através da net, coloca desafios muito difíceis de ultrapassar para um cinema de uma pequena localidade como Messines.
Quero também aproveitar a oportunidade para contar uma pequena história passada no cinema, que mostra como os tempos mudaram. Hoje, não acredito que fosse possível ao Helder Patrão organizar um evento semelhante. Quer dizer, ele organizar poderia organizar, não acredito é que tivesse espectadores em quantidade suficiente que o justificasse.
O Helder Patrão (aka Helderinho), um ex-vereador da nossa praça, sempre se mostrou atraído pela possibilidade de uma carreira que lhe desse a possibilidade de algum destaque público. Penso ter sido essa a razão que o levou a abraçar o papel de vereador na CM de Silves e, na sua juventude, por altura dos anos 80, a organizar no cineteatro João de Deus um espectáculo ao tipo do “pão com manteiga”, um programa de rádio apresentado por Júlio Isidro e que ficou célebre nessa época.
O espectáculo caracterizou-se por música (penso que havia um grupo a tocar ao vivo mas já não me recordo qual) e alguns passatempos. Num deles a audiência foi chamada a identificar o grupo autor de uma música, da qual o Helder tinha acabado de passar um pequeno trecho. Para sorte nossa, nessa mesma manhã eu tinha ouvido na rádio essa mesma música, pelo que não foi difícil acertar e identificar os “Taxi”.
O segundo passatempo já foi mais complicado, a audiência foi chamada a trazer ao palco do cineteatro uma galinha e fazê-la cantar (por aqui já podem ver a duração do dito espectáculo). Lembro-me de termos saído do cineteatro para ir buscar a galinha e ganhar o passatempo.
O Primeiro desafio deu-nos como prémio o disco dos táxi, (a música podem ouvi-la aqui em baixo). O segundo deu-nos o disco dos “Já-fumega” cuja foto aqui podem ver.
Chegou até mim por via do senhor Joaquim Venâncio, que trabalhou no velho cinema nos anos quarenta, sendo responsável por colocar a funcionar o motor que fornecia a energia necessária à projecção do filme. Mais tarde, com o aparecimento da rede eléctrica, tal função deixou de ser necessária e o seu trabalho no cinema terminou.
Infelizmente, tal como ocorreu ao Senhor Joaquim, os tempos de hoje colocam desafios muito complicados ao cineteatro. Estou convicto que será muito difícil continuar a fazer face à concorrência que os tempos de hoje trazem. O apelo dos centros comerciais que oferecem possibilidades de divertimento e lazer mais variado, em conjunto com a maior facilidade de deslocação e as possibilidades de ver filmes em casa, quer por compra de um simples DVD (hoje a preços acessíveis) ou fazendo o download do filme através da net, coloca desafios muito difíceis de ultrapassar para um cinema de uma pequena localidade como Messines.
Quero também aproveitar a oportunidade para contar uma pequena história passada no cinema, que mostra como os tempos mudaram. Hoje, não acredito que fosse possível ao Helder Patrão organizar um evento semelhante. Quer dizer, ele organizar poderia organizar, não acredito é que tivesse espectadores em quantidade suficiente que o justificasse.
O Helder Patrão (aka Helderinho), um ex-vereador da nossa praça, sempre se mostrou atraído pela possibilidade de uma carreira que lhe desse a possibilidade de algum destaque público. Penso ter sido essa a razão que o levou a abraçar o papel de vereador na CM de Silves e, na sua juventude, por altura dos anos 80, a organizar no cineteatro João de Deus um espectáculo ao tipo do “pão com manteiga”, um programa de rádio apresentado por Júlio Isidro e que ficou célebre nessa época.
O espectáculo caracterizou-se por música (penso que havia um grupo a tocar ao vivo mas já não me recordo qual) e alguns passatempos. Num deles a audiência foi chamada a identificar o grupo autor de uma música, da qual o Helder tinha acabado de passar um pequeno trecho. Para sorte nossa, nessa mesma manhã eu tinha ouvido na rádio essa mesma música, pelo que não foi difícil acertar e identificar os “Taxi”.
O segundo passatempo já foi mais complicado, a audiência foi chamada a trazer ao palco do cineteatro uma galinha e fazê-la cantar (por aqui já podem ver a duração do dito espectáculo). Lembro-me de termos saído do cineteatro para ir buscar a galinha e ganhar o passatempo.
O Primeiro desafio deu-nos como prémio o disco dos táxi, (a música podem ouvi-la aqui em baixo). O segundo deu-nos o disco dos “Já-fumega” cuja foto aqui podem ver.
17/01/2010
O Remexido
Terminei as minhas férias de Natal em Messines, com um belo jantar no Remexido, a casa do Zé Piasca, situada em frente ao Teófilo.
Este post vai parecer um pouco de publicidade, mas desde já digo que não o é, trata-se somente de fazer justiça a quem a merece.
O Zé está feito um verdadeiro "expert" na arte da restauração. Excelente atendimento, com simpatia, espaço limpo e arranjado como deve ser e, acima de tudo, uma fantástica comida. Primeiro que tudo as entradas, com um belo queijo, paio e umas sardinhas albardadas, estavam divinais. Depois, da minha parte foi um Sargo grelhado, que estava excelente. Tudo bem regado com um branco fresquinho.
Desde já apontei na minha agenda, que na próxima vez que encontrar o manfarrico que aqui responde por “Serrenho”, iremos dar alegrias ao palato na casa do Zé Piasca.
Confidenciou-me o Zé, agora presidente da casa do Povo de Messines, que a instituição está a viver momentos algo complicados. Uma situação a merecer a atenção das forças vivas da freguesia e do concelho, que não devem esquecer o papel que a Casa do Povo tem hoje em dia na freguesia ao nível educativo.
Este post vai parecer um pouco de publicidade, mas desde já digo que não o é, trata-se somente de fazer justiça a quem a merece.
O Zé está feito um verdadeiro "expert" na arte da restauração. Excelente atendimento, com simpatia, espaço limpo e arranjado como deve ser e, acima de tudo, uma fantástica comida. Primeiro que tudo as entradas, com um belo queijo, paio e umas sardinhas albardadas, estavam divinais. Depois, da minha parte foi um Sargo grelhado, que estava excelente. Tudo bem regado com um branco fresquinho.
Desde já apontei na minha agenda, que na próxima vez que encontrar o manfarrico que aqui responde por “Serrenho”, iremos dar alegrias ao palato na casa do Zé Piasca.
Confidenciou-me o Zé, agora presidente da casa do Povo de Messines, que a instituição está a viver momentos algo complicados. Uma situação a merecer a atenção das forças vivas da freguesia e do concelho, que não devem esquecer o papel que a Casa do Povo tem hoje em dia na freguesia ao nível educativo.
(A casa do Povo de Messines)
11/01/2010
Existe em Messines uma verdadeira singularidade do espaço–tempo. Um “Não Lugar”.
Durante a minha recente estadia em Messines percorri vezes sem conta a estrada que liga Messines ao Algoz. Como acredito que em tudo o que fazemos devemos procurar um lado positivo, comecei por puxar pela cabeça e tentar encontrar algo positivo em percorrer uma estrada completamente esburacada. Encontrei dois aspectos, mas estou certo que mais haverá.
O primeiro é que aquilo é bastante divertido, até já tinha arranjado um jogo e tudo. Consistia simplesmente em verificar se conseguia fazer o percurso sem cair em nenhum dos buracos, claro que a velocidade média a que conduzia ia aumentando à medida que cumpria com sucesso cada etapa. Consegui chegar bastante longe, estava satisfeito e cheguei mesmo a acreditar ter jeito para fazer o Dakar, mas, já para o fim, o nosso novo presidente da Junta de Freguesia (penso que foi ele) veio estragar-me a brincadeira, (começa mal este presidente, o do Algoz é muito mais divertido).
Não sei o que lhe passou pela cabeça, mas não é que o malfadado mandou tapar alguns dos buracos entre Messines e os Calvos. Assim num ápice, retirou para aí uns dez ou vinte à prova, aquilo ficou muito mais fácil e tive que recomeçar a contagem de novo. Uma maçada.
A outra vantagem que descobri foi o facto de ter observado em Messines a primeira singularidade do espaço-tempo de que há registo (pelo menos que eu saiba). Até lhe deram nome e tudo, chamam-lhe o Joinal.
O Joinal é um não-lugar, um sítio onde se pode estar e ao mesmo tempo não estar. Descobri mesmo que o mais complicado é lá estar, pelo menos no local onde a linha que une as placas de início e fim do Joinal cruza a estrada Messines-Algoz. As ditas placas estão tão bem alinhadas, que a dita linha faz uma perfeita perpendicular à estrada e assim, mesmo querendo, estar no Joinal é complicado, sobra sempre um bocado dos sapatos que não estando na linha também não está no Joinal.
Assim o engraçado é que pode-se estar e simultaneamente não estar no Joinal, pode-se também não-estar no Joinal (o que até frequentemente acontece) mas já estar no Joinal é bem mais complicado.
O primeiro é que aquilo é bastante divertido, até já tinha arranjado um jogo e tudo. Consistia simplesmente em verificar se conseguia fazer o percurso sem cair em nenhum dos buracos, claro que a velocidade média a que conduzia ia aumentando à medida que cumpria com sucesso cada etapa. Consegui chegar bastante longe, estava satisfeito e cheguei mesmo a acreditar ter jeito para fazer o Dakar, mas, já para o fim, o nosso novo presidente da Junta de Freguesia (penso que foi ele) veio estragar-me a brincadeira, (começa mal este presidente, o do Algoz é muito mais divertido).
Não sei o que lhe passou pela cabeça, mas não é que o malfadado mandou tapar alguns dos buracos entre Messines e os Calvos. Assim num ápice, retirou para aí uns dez ou vinte à prova, aquilo ficou muito mais fácil e tive que recomeçar a contagem de novo. Uma maçada.
A outra vantagem que descobri foi o facto de ter observado em Messines a primeira singularidade do espaço-tempo de que há registo (pelo menos que eu saiba). Até lhe deram nome e tudo, chamam-lhe o Joinal.
O Joinal é um não-lugar, um sítio onde se pode estar e ao mesmo tempo não estar. Descobri mesmo que o mais complicado é lá estar, pelo menos no local onde a linha que une as placas de início e fim do Joinal cruza a estrada Messines-Algoz. As ditas placas estão tão bem alinhadas, que a dita linha faz uma perfeita perpendicular à estrada e assim, mesmo querendo, estar no Joinal é complicado, sobra sempre um bocado dos sapatos que não estando na linha também não está no Joinal.
Assim o engraçado é que pode-se estar e simultaneamente não estar no Joinal, pode-se também não-estar no Joinal (o que até frequentemente acontece) mas já estar no Joinal é bem mais complicado.
(O Joinal, quando se vai de Messines para o Algoz. Reparem nas placas de início e fim do Joinal, a primeira do lado direito e a segunda ao lado esquerdo da estrada)
(O Joinal, visto na situação inversa. Vindo agora do Algoz.)
12/12/2009
Um Bocadinho da Nossa História: Ainda o Núcleo de xadrez da Sociedade de Messines
Acabo de descobrir um comentário de um leitor não identificado, que achei engraçadíssimo.
Aproveitando a prerrogativa do chefe da estação, decidi passá-lo à categoria de post. Faço-o essencialmente por duas razões, em primeiro lugar para fazer uma homenagem ao Vieirinha, também ele um campeão de xadrez messinense, em segundo lugar, para fazer notar que já vamos em três campeões de xadrez, o Luís Barradas, o Carrasqueiro e o Vieirinha, mostrando bem o sucesso alcançado pelo núcleo.
“Em má hora ensinei esse Carrasqueiro a jogar xadrez, tinha muito mau perder! O Vieirinha foi campeão nacional de juvenis e vice de juniores.” leitor não identificado
Aproveitando a prerrogativa do chefe da estação, decidi passá-lo à categoria de post. Faço-o essencialmente por duas razões, em primeiro lugar para fazer uma homenagem ao Vieirinha, também ele um campeão de xadrez messinense, em segundo lugar, para fazer notar que já vamos em três campeões de xadrez, o Luís Barradas, o Carrasqueiro e o Vieirinha, mostrando bem o sucesso alcançado pelo núcleo.
“Em má hora ensinei esse Carrasqueiro a jogar xadrez, tinha muito mau perder! O Vieirinha foi campeão nacional de juvenis e vice de juniores.” leitor não identificado
10/12/2009
As luzinhas de Natal.
Acabo de receber a notícia, via um email de um leitor interessado, a quem desde já agradeço, embora não o identifique pois não sei se ele quer que o faça. Messines lá recebeu a iluminação de Natal. Mas, pelo que parece, Messines só foi bafejado por esta dádiva natalícia porque protestou, mas não pensem que o protestar é 100% eficaz, não é! Podem por isso deixar-se estar sentados.
Como o dinheiro não abunda e está até cada vez mais escasso, enquanto Silves recebeu as novas luzinhas, Messines ficou com as já usadas. É assim como se faz com os brinquedos dos meninos, os do irmão mais velho passam para o mais novo.
Desde já digo que não sou particularmente a favor ou contra as luzinhas de Natal, é coisa que não me impressiona por aí além, mas já sou mais sensível contra as injustiças, pois se Silves tinhas as luzinhas ainda boas, e compraram novas, porque não vieram estas para Messines? Então isto há aqui filhos e enteados?
Bom coloquei-me em campo e contactei o Eliseu para reparar esta injustiça. Este ano, se o Eliseu conseguir arranjar quem lhe empreste mais umas ovelhas e uns cães, não esqueçam que ele só tem a meu cargo 14 ovelhas e 7 cabras, além do Bolinhas, mas este não vai conseguir dar conta de tudo.
Dizia eu, este ano se o Eliseu conseguir em tempo útil obter as ovelhas que referi, vou treinar as bichas para fazerem o mesmo que os moços que podem ver no vídeo em baixo fizeram.
Sempre quero ver se Silves consegue fazer igual.
Como o dinheiro não abunda e está até cada vez mais escasso, enquanto Silves recebeu as novas luzinhas, Messines ficou com as já usadas. É assim como se faz com os brinquedos dos meninos, os do irmão mais velho passam para o mais novo.
Desde já digo que não sou particularmente a favor ou contra as luzinhas de Natal, é coisa que não me impressiona por aí além, mas já sou mais sensível contra as injustiças, pois se Silves tinhas as luzinhas ainda boas, e compraram novas, porque não vieram estas para Messines? Então isto há aqui filhos e enteados?
Bom coloquei-me em campo e contactei o Eliseu para reparar esta injustiça. Este ano, se o Eliseu conseguir arranjar quem lhe empreste mais umas ovelhas e uns cães, não esqueçam que ele só tem a meu cargo 14 ovelhas e 7 cabras, além do Bolinhas, mas este não vai conseguir dar conta de tudo.
Dizia eu, este ano se o Eliseu conseguir em tempo útil obter as ovelhas que referi, vou treinar as bichas para fazerem o mesmo que os moços que podem ver no vídeo em baixo fizeram.
Sempre quero ver se Silves consegue fazer igual.
09/12/2009
Um Bocadinho da Nossa História: Como Eu, um dia aprendi o que era um "Bufo".
“...Medina Carreira considerou, na terça-feira à noite, numa tertúlia no Casino da Figueira da Foz, o Programa Novas Oportunidades como uma «trafulhice» e uma «aldrabice» e a educação em Portugal como uma «miséria».
O antigo ministro das Finanças entende ainda que as escolas produzem «analfabetos» e que os alunos que participam no programa Novas Oportunidades «fazem um papel, entregam ao professor e vão-se embora».
«E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano. Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução», acrescentou.
Sobre os alunos, Medina Carreira entende que estes «não sabem coisa nenhuma». «O que é que vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa fandanga», sublinhou.
Já no que toca à avaliação dos professores, o ex-ministro considerou-a uma «burrice», pois perguntou «se você não avalia os alunos, como vai avaliar os professores?»....”
in TSF online
Aproveito a opinião do professor Medina Carreira sobre o ensino em Portugal, com a qual concordo em absoluto e que acima transcrevo, para dar início ao meu post, hoje procurando mostrar aspectos da escola em Messines (e não só) no Portugal do pré 25 de Abril.
Desde já digo que só conheci duas professoras durante o meu percurso na escola primária (agora chamado ensino básico), depois conheci muitos outros e outras, uns naturalmente mais louváveis do que outros, o que é perfeitamente natural. Mas dizia eu, as minhas duas professoras da primária foram a Dª Alice e a Dª Natália, ambas respeitáveis senhoras de Messines, a segunda por ser aquela com quem mais tempo passei, ainda hoje procuro falar um pouco sempre que a encontro.
A Dª Alice foi a minha professora do período anterior ao 25 de Abril (o que no meu caso correspondeu à então chamada primeira classe) e carregava consigo todas as práticas pedagógicas em vigor no antigo regime. O mesmo é dizer que todas as suas prelecções e ensinamentos eram invariavelmente acompanhados, sempre que necessário, por uns puxões de orelhas e umas reguadas a preceito, distribuídas por todos quanto fizessem barulho, não soubessem a tabuada, dessem erros ortográficos, ou simplesmente estivessem no sítio errado à hora errada.
Recordo por exemplo que uma das técnicas que a Dª Alice utilizava para manter a classe em respeito, isto quando por qualquer motivo se ausentava da sala por um período razoável de tempo, era o nomear um dos alunos para que tomasse nota no quadro, do nome dos que fizessem barulho ou se remexessem demasiado nas carteiras (era assim que se chamavam as mesas de trabalho).
Escusado será dizer que o poder do aluno apontador subia de um momento para o outro a um nível difícil de quantificar. O dito aluno apontador, na maior parte do tempo um entre nós, e tal como os restantes sujeito aos humores da Dª Alice, encontrava-se de repente numa posição invejável. Não só o seu nome nunca, jamais, seria anotado no quadro, como o seu poder para levar qualquer outro a levar umas reguadas quando a DªAlice voltasse era absoluto e discricionário.
Vejam lá se conseguem descobrir um melhor método de explicar a um aluno do 1º ano o que é um “Bufo”.
Esta figura do Bufo era bastante querida no antigo regime. Há até quem diga que havia alguns exemplares desta espécie em Messines e que não hesitaram em usar os seus préstimos para enviar alguns à palmatória. Mas isto, eu não sei, se será verdade. Agora já não tenho dúvidas que o método de ensino então em vigor era de facto eficaz neste aspecto. Já o mesmo não digo relativamente ao acesso que o mesmo sistema proporcionava a níveis superiores de ensino. Embora não consiga encontrar a fotografia de grupo que me lembro ter tirado na altura com todos os colegas da primeira classe, recordo-me que dos vinte e tal que formavam o grupo, sómente três ou quatro, senão menos, prosseguiram os estudos a nível superior, um resultado tão fraco que impressiona, mas serve perfeitamente para mostrar o que era o Portugal de há trinta e cinco anos atrás.
Já agora, se houver por aí alguém que tenha a fotografia que referi acima e a possa dispensar por um tempinho, curto, para que eu possa mandar fazer uma cópia, ficaria eternamente grato.
O antigo ministro das Finanças entende ainda que as escolas produzem «analfabetos» e que os alunos que participam no programa Novas Oportunidades «fazem um papel, entregam ao professor e vão-se embora».
«E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano. Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução», acrescentou.
Sobre os alunos, Medina Carreira entende que estes «não sabem coisa nenhuma». «O que é que vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa fandanga», sublinhou.
Já no que toca à avaliação dos professores, o ex-ministro considerou-a uma «burrice», pois perguntou «se você não avalia os alunos, como vai avaliar os professores?»....”
in TSF online
Aproveito a opinião do professor Medina Carreira sobre o ensino em Portugal, com a qual concordo em absoluto e que acima transcrevo, para dar início ao meu post, hoje procurando mostrar aspectos da escola em Messines (e não só) no Portugal do pré 25 de Abril.
Desde já digo que só conheci duas professoras durante o meu percurso na escola primária (agora chamado ensino básico), depois conheci muitos outros e outras, uns naturalmente mais louváveis do que outros, o que é perfeitamente natural. Mas dizia eu, as minhas duas professoras da primária foram a Dª Alice e a Dª Natália, ambas respeitáveis senhoras de Messines, a segunda por ser aquela com quem mais tempo passei, ainda hoje procuro falar um pouco sempre que a encontro.
A Dª Alice foi a minha professora do período anterior ao 25 de Abril (o que no meu caso correspondeu à então chamada primeira classe) e carregava consigo todas as práticas pedagógicas em vigor no antigo regime. O mesmo é dizer que todas as suas prelecções e ensinamentos eram invariavelmente acompanhados, sempre que necessário, por uns puxões de orelhas e umas reguadas a preceito, distribuídas por todos quanto fizessem barulho, não soubessem a tabuada, dessem erros ortográficos, ou simplesmente estivessem no sítio errado à hora errada.
Recordo por exemplo que uma das técnicas que a Dª Alice utilizava para manter a classe em respeito, isto quando por qualquer motivo se ausentava da sala por um período razoável de tempo, era o nomear um dos alunos para que tomasse nota no quadro, do nome dos que fizessem barulho ou se remexessem demasiado nas carteiras (era assim que se chamavam as mesas de trabalho).
Escusado será dizer que o poder do aluno apontador subia de um momento para o outro a um nível difícil de quantificar. O dito aluno apontador, na maior parte do tempo um entre nós, e tal como os restantes sujeito aos humores da Dª Alice, encontrava-se de repente numa posição invejável. Não só o seu nome nunca, jamais, seria anotado no quadro, como o seu poder para levar qualquer outro a levar umas reguadas quando a DªAlice voltasse era absoluto e discricionário.
Vejam lá se conseguem descobrir um melhor método de explicar a um aluno do 1º ano o que é um “Bufo”.
Esta figura do Bufo era bastante querida no antigo regime. Há até quem diga que havia alguns exemplares desta espécie em Messines e que não hesitaram em usar os seus préstimos para enviar alguns à palmatória. Mas isto, eu não sei, se será verdade. Agora já não tenho dúvidas que o método de ensino então em vigor era de facto eficaz neste aspecto. Já o mesmo não digo relativamente ao acesso que o mesmo sistema proporcionava a níveis superiores de ensino. Embora não consiga encontrar a fotografia de grupo que me lembro ter tirado na altura com todos os colegas da primeira classe, recordo-me que dos vinte e tal que formavam o grupo, sómente três ou quatro, senão menos, prosseguiram os estudos a nível superior, um resultado tão fraco que impressiona, mas serve perfeitamente para mostrar o que era o Portugal de há trinta e cinco anos atrás.
Já agora, se houver por aí alguém que tenha a fotografia que referi acima e a possa dispensar por um tempinho, curto, para que eu possa mandar fazer uma cópia, ficaria eternamente grato.
06/12/2009
Um Bocadinho da Nossa História: Como um dia, o MFA veio a Messines
O primeiro comício do PPD (agora PSD) realizado em Messines teve lugar no cineteatro João de Deus. Apesar da minha tenra idade, mais uma vez estive presente (ia a todas). Os oradores, não me lembro quem foram, mas sei que se encontravam sentados a uma mesa colocada no palco, junto ao écran de projecção. A sala embora não estando lotada (longe disso) estava mais ou menos composta.
O objectivo dos oradores e do público é que não era exactamente o mesmo. Enquanto aqueles estavam lá para apresentar as ideias do partido, estes estavam mais virados para insultar e impedir o comício de se realizar.
Após uma saraivada de insultos, o impasse lá foi ultrapassado. Com o recurso à força do MFA (movimento das forças armadas) que penso ter vindo de Faro, os contestatários foram expulsos e criou-se finalmente condições para que o comício se pudesse realizar, embora com a sala vazia.
O objectivo dos oradores e do público é que não era exactamente o mesmo. Enquanto aqueles estavam lá para apresentar as ideias do partido, estes estavam mais virados para insultar e impedir o comício de se realizar.
Após uma saraivada de insultos, o impasse lá foi ultrapassado. Com o recurso à força do MFA (movimento das forças armadas) que penso ter vindo de Faro, os contestatários foram expulsos e criou-se finalmente condições para que o comício se pudesse realizar, embora com a sala vazia.
05/12/2009
Um Bocadinho da Nossa História: O rio de Messines e outras histórias
Hesitei bastante se devia ou não escrever este post. Mas após reflectir profundamente sobre o assunto, achei que não deveria deixar que tabus se estabelecessem nesta estação.
De facto este não é um post mas sim um “tri-post”, ou seja um post dividido em três partes, como o próprio nome indica.
A primeira parte é para dar a conhecer aos mais novos ou aos mais esquecidos, o rio subterrâneo que corre por baixo de Messines.
Nem sempre assim foi, ainda há não muito tempo este rio corria livremente a céu aberto, surgia um pouco antes do local onde hoje se encontra o Café dos Caçadores, passando à esquerda da rotunda e continuava rua António Aleixo abaixo até ligar-se ao ribeiro meirinho.
Este nosso rio, conhecido por Barranco, não era assim um rio de grande caudal, era bem mais um riacho, embora neste caso a comparação só seja possível devido ao pequeno caudal que apresentava. Pois quanto ao aspecto cristalino das águas que nele corriam, nem vale a pena comparar. As do nosso riacho eram bem mais escuras e delas emanava um cheiro nem sempre agradável.Apesar de todo o mau aspecto que relatei, o barranco não deixou de desempenhar um papel relevante no dia-a-dia de todos os messinenses.
Não foram poucos os que nele resolveram tomar banho. Uns impelidos por manifesto acidente, outros por não se encontrarem em total controlo das suas capacidades (leia-se vinho a mais) e ainda outros pela simples curiosidade.
O Barranco foi finalmente coberto pouco tempo após o 25 de Abril. Obra do Sr. Gregório, avô do meu amigo Joaquim, do Vasco e do Nuno, que resolveu dinamizar a população para tão importante obra.
É verdade, o barranco foi fechado pela população que se juntou e trabalhou para o fazer. Escusado será dizer que estávamos em pleno PREC, altura onde tudo era possível e a generosidade e solidariedade com o próximo estavam no seu máximo.
A segunda parte é para dar a conhecer que pouco tempo antes do 25 de Abril, Messines foi ameaçado por um ataque de pára-quedistas.
Estou a brincar. Não fomos nada ameaçados, a história é curta, embora polémica, e é pouco aquilo que sei sobre a mesma, apenas lembranças vagas. No entanto vou deixar aqui o que tenho na memória. Mais uma vez correcções, precisões ou mesmo relatos da história são bem-vindos.
Foi organizado em Messines um movimento que pretenderia levar à construção na vila de umas piscinas. Penso que a liderar tal movimento estaria o Sr. Francisco Vargas Mogo, nosso ilustre conterrâneo já falecido. Esse movimento levou à realização de uma festa importante na vila, dizia-se na altura que fomos até visitados pelo ministro do interior de Marcelo Caetano, Gonçalves Rapazote, embora eu confesso, não sei ao certo se isto é ou não verdade. O que me lembro, e é muito pouco, foi que no dia da festa, os pára-quedistas, que supostamente saltariam sobre a vila foram impedidos de o fazer, pelo vento que então se fazia sentir. O resto já todos sabem, nem os pára-quedistas saltaram nem as piscinas se construíram.
Por último, a terceira parte diz respeito ao chamado choque tecnológico, que todos pensam ter sido implementado pelo governo de José Sócrates, o anterior, este já se viu que nada vai fazer. Lamento dizer, mas tal não é verdade, o dito choque tecnológico ocorreu muito tempo antes em Messines. A história é complicada de contar, até porque tal como 99.9999% dos Messinenses eu também não me encontrava na vila nessa altura. Não vou por isso alongar-me com pormenores sobre o assunto, até por que não os sei, mas parece que o dito choque metia uns exames radiológicos efectuados via satélite. Tal coisa nunca antes vista em lado algum, constituiu um verdadeiro choque, mais moral que tecnológico, diga-se, embora e até para repor a verdade dos factos, existam relatos que semelhante tecnologia foi também anteriormente testada em Loures.
De facto este não é um post mas sim um “tri-post”, ou seja um post dividido em três partes, como o próprio nome indica.
A primeira parte é para dar a conhecer aos mais novos ou aos mais esquecidos, o rio subterrâneo que corre por baixo de Messines.
Nem sempre assim foi, ainda há não muito tempo este rio corria livremente a céu aberto, surgia um pouco antes do local onde hoje se encontra o Café dos Caçadores, passando à esquerda da rotunda e continuava rua António Aleixo abaixo até ligar-se ao ribeiro meirinho.
Este nosso rio, conhecido por Barranco, não era assim um rio de grande caudal, era bem mais um riacho, embora neste caso a comparação só seja possível devido ao pequeno caudal que apresentava. Pois quanto ao aspecto cristalino das águas que nele corriam, nem vale a pena comparar. As do nosso riacho eram bem mais escuras e delas emanava um cheiro nem sempre agradável.Apesar de todo o mau aspecto que relatei, o barranco não deixou de desempenhar um papel relevante no dia-a-dia de todos os messinenses.
Não foram poucos os que nele resolveram tomar banho. Uns impelidos por manifesto acidente, outros por não se encontrarem em total controlo das suas capacidades (leia-se vinho a mais) e ainda outros pela simples curiosidade.
O Barranco foi finalmente coberto pouco tempo após o 25 de Abril. Obra do Sr. Gregório, avô do meu amigo Joaquim, do Vasco e do Nuno, que resolveu dinamizar a população para tão importante obra.
É verdade, o barranco foi fechado pela população que se juntou e trabalhou para o fazer. Escusado será dizer que estávamos em pleno PREC, altura onde tudo era possível e a generosidade e solidariedade com o próximo estavam no seu máximo.
A segunda parte é para dar a conhecer que pouco tempo antes do 25 de Abril, Messines foi ameaçado por um ataque de pára-quedistas.
Estou a brincar. Não fomos nada ameaçados, a história é curta, embora polémica, e é pouco aquilo que sei sobre a mesma, apenas lembranças vagas. No entanto vou deixar aqui o que tenho na memória. Mais uma vez correcções, precisões ou mesmo relatos da história são bem-vindos.
Foi organizado em Messines um movimento que pretenderia levar à construção na vila de umas piscinas. Penso que a liderar tal movimento estaria o Sr. Francisco Vargas Mogo, nosso ilustre conterrâneo já falecido. Esse movimento levou à realização de uma festa importante na vila, dizia-se na altura que fomos até visitados pelo ministro do interior de Marcelo Caetano, Gonçalves Rapazote, embora eu confesso, não sei ao certo se isto é ou não verdade. O que me lembro, e é muito pouco, foi que no dia da festa, os pára-quedistas, que supostamente saltariam sobre a vila foram impedidos de o fazer, pelo vento que então se fazia sentir. O resto já todos sabem, nem os pára-quedistas saltaram nem as piscinas se construíram.
Por último, a terceira parte diz respeito ao chamado choque tecnológico, que todos pensam ter sido implementado pelo governo de José Sócrates, o anterior, este já se viu que nada vai fazer. Lamento dizer, mas tal não é verdade, o dito choque tecnológico ocorreu muito tempo antes em Messines. A história é complicada de contar, até porque tal como 99.9999% dos Messinenses eu também não me encontrava na vila nessa altura. Não vou por isso alongar-me com pormenores sobre o assunto, até por que não os sei, mas parece que o dito choque metia uns exames radiológicos efectuados via satélite. Tal coisa nunca antes vista em lado algum, constituiu um verdadeiro choque, mais moral que tecnológico, diga-se, embora e até para repor a verdade dos factos, existam relatos que semelhante tecnologia foi também anteriormente testada em Loures.
01/12/2009
A prática desportiva em Messines
Pelos meus dezasseis anos e após Portugal ter atravessado o 25 de Abril, o PREC e o 25 de Novembro, com tudo o que isso pode acarretar em termos de organização de um País. Eu contabilizava já como praticante mais ou menos assíduo as seguintes modalidades desportivas: Futebol de onze, Futebol de Salão, Judo, Luta Amadora, Ginástica Desportiva, Atletismo, Basquetebol e Xadrez.
Poderão dizer-me que nem todas essas modalidades foram devidamente organizadas, orientadas por monitores correctamente formados etc. Direi que tal é de facto verdade, no entanto, poderei também contrapor que todas foram efectuadas em Messines e sem que os meus pais gastassem um tostão que fosse.
Não sei ao certo como está a situação a este respeito com os jovens de hoje em Messines. Mas parece-me que não melhorou, pelo contrário e, a avaliar pelo que me foi dito, parece estar bem pior. Isto apesar de Messines ter dois pavilhões desportivos à sua disposição.
Um aspecto a rever agora que um novo ciclo se inicia. Os pavilhões já existem, talvez seja a altura para investir no capital humano, contratando monitores em qualidade e quantidade suficiente.
Poderão dizer-me que nem todas essas modalidades foram devidamente organizadas, orientadas por monitores correctamente formados etc. Direi que tal é de facto verdade, no entanto, poderei também contrapor que todas foram efectuadas em Messines e sem que os meus pais gastassem um tostão que fosse.
Não sei ao certo como está a situação a este respeito com os jovens de hoje em Messines. Mas parece-me que não melhorou, pelo contrário e, a avaliar pelo que me foi dito, parece estar bem pior. Isto apesar de Messines ter dois pavilhões desportivos à sua disposição.
Um aspecto a rever agora que um novo ciclo se inicia. Os pavilhões já existem, talvez seja a altura para investir no capital humano, contratando monitores em qualidade e quantidade suficiente.
22/11/2009
Um Bocadinho da Nossa História: Almirante sem Medo
"...Vendo a situação entrar num impasse, com os trabalhadores a estenderem mantas e acenderem fogueiras para dormir e ficar ali por tempo indeterminado, Pinheiro de Azevedo veio à varanda apelar à dispersão, sob a promessa de estudar o caderno reivindicativo. Mas os manifestantes não o queriam ouvir, e gritavam e insultavam mal o primeiro-ministro abria a boca. "Fascista!", chamavam eles, e o "Almirante sem Medo" perdeu a paciência: "Fascista uma merda!" Ou na versão de outras testemunhas: "Vão todos bardamerda!"..."*Ainda se lembram de como foi vivido o PREC (Projecto Revolucionário Em Curso) em Messines? Tentarei trazer aqui algumas histórias desses tempos. Para isso conto com a vossa ajuda: Fotografias, histórias, personagens, enfim, tudo o que tiverem por aí guardado no baú das memórias e queiram partilhar é bem-vindo.
Contagem decrescente para uma guerra civil, Paulo Moura in Público
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